terça-feira, setembro 28, 2010



Favores

Momento Espírita



O homem ideal - afirmou Aristóteles - sente alegria em fazer favores aos outros.


O que está por trás de um favor?


Talvez tenhamos, como sociedade ansiosa e inquieta que nos tornamos, atribuído um valor insignificante a ele. Por isso, cabe refletir com mais tempo sobre o tema.


Por trás de um favor, seja ele pequeno ou grande – como se diz - há um movimento fundamental: a doação.


Doação que começa pela atenção, passa pelo tempo despendido e, por vezes, chega a conteúdos maiores ainda.


Toda vez que prestamos um favor a alguém estamos, de certa forma, dizendo que naquele momento, o da ação em prol do outro, ele é mais importante do que nós.


Deixei de fazer o que estava fazendo pelo outro. Dividi meu tempo com o outro. Sacrifiquei-me, de alguma forma, pela outra pessoa.


Esta postura é das mais nobres que existe pois constitui a essência da caridade.
Obviamente estamos considerando aqui o favor desinteressado, realizado pelo prazer de ajudar, de contribuir com a felicidade do outro.


Qualquer outra modalidade de favor passa a perder a essência desta ação benévola e podemos chamar de algum outro nome que não este, obedecendo à linha de razão de nossa breve análise.


Um outro detalhe que vale a pena ser analisado, no mundo dos favores, é a recompensa íntima imediata que nos trazem.


Há um sentimento - que na maioria das vezes passa rapidamente pelo nosso coração – de prazer, de alegria.


É a alegria do chamado homem ideal de Aristóteles, que percebe sua consciência identificando uma ação no bem.


O que acontece nesses momentos – ainda breves na vida da maioria de nós – é uma celebração da consciência, bem lá onde estão escritas as Leis de Deus.


Ela percebe a Lei do amor sendo vivenciada com beleza e envia-nos o sentimento de satisfação, de alegria, de prazer.


Não há quem não se sinta bem fazendo o bem. E nos favores existe o bem sendo praticado em diversas nuances distintas.


Cada um tem seus deveres, responsabilidades e precisa dar conta deles, é certo.


Mas, porque não posso, em alguns momentos, ajudar o outro a conseguir cumprir suas tarefas?


O sacrifício que iremos fazer – quando houver realmente sacrifício – é muito pequeno, perto da alegria de ter sido útil na vida de alguém.
Não façamos pela recompensa. Não façamos pelo reconhecimento. Façamos pelo prazer de ajudar.


Perceberemos que a vida nos retribui constantemente os favores que prestamos, pois quando estamos a fazer algo por alguém, de coração, sem segundas intenções, uma aura de paz nos envolve e nos protege.


Naquele instante somos como que missionários do amor na Terra. Somos soldados da paz, modificando o mundo, espargindo o bem pelos cantos.


Da próxima vez que você ouvir as palavras: Você me faz um favor? - pense bem antes de negar. Veja em cada pedido desses uma oportunidade de ser mais feliz.


Redação do Momento Espírita.

Disponível < id="2751&stat="0">. Acesso : 28 SET 2010.

domingo, setembro 26, 2010



Obrigada, Senhor



Obrigada, Senhor, pelos meus braços perfeitos, quando há tantos mutilados...


Pelos meus olhos perfeitos, quando há tantos sem luz...


Pela minha voz que canta, quando tantas emudeceram...


Pelas minhas mãos que trabalham, quando tantas mendigam...


É maravilhoso, Senhor, ter um lar para voltar, quando há tanta gente que não tem para onde ir...


É maravilhoso, Senhor, amar, sorrir, sonhar, quando há tantos que choram, que se odeiam, que se revolvem em pesadelos, e que morrem antes de nascer...


E sobretudo, é maravilhoso, Senhor, ter tão pouco a pedir e tanto para agradecer...


Michel Quoist


Uma semente de exemplos, pesa mais que uma tonelada de palavras...

sábado, setembro 25, 2010



ALÉM DO TEMPO

Momento Espírita



Seguiam a nossa frente. Passo lento, cadenciado. Mãos dadas. As cabeças nevadas e a lentidão do passo lhes denunciavam a idade avançada.

Um homem. Uma mulher. Um casal de velhos. De mãos dadas, enamorados. As mãos seguravam firme, como a dizer que um se constituía no apoio do outro. Assim no físico, assim no afeto.

Ficamos a imaginá-los, na esteira do tempo, jovens, rindo e correndo pelo parque, sob as bênçãos do sol. Brincando no lago, jogando água um no outro, gargalhando.

Pudemos quase vê-los de forma nítida abraçados, quietos, olhando enlevados o concerto da primavera em flor, mãos entrelaçadas, cabeças apoiadas, tecendo sonhos e fantasias.

Terão imaginado quiçá que alcançariam esta idade, unidos?

São eles mesmos. Atravessaram os anos e prosseguem apaixonados. Casaram, tiveram filhos, passaram as mil dificuldades de educar, instruir e amar a prole, renunciando muito a benefício deles.

Quando os filhos se foram, um a um, como aves de arribação, deixando o ninho para construir o seu próprio e eles ficaram sós, souberam retomar o enlevo dos primeiros dias.

O segredo dessa união sólida? O amor. Só o amor tem o poder de atravessar os anos e se tornar mais intenso. Só ele pode enfrentar com dignidade o encarquilhar das mãos, o aparecimento das rugas, o andar mais demorado.

Somente ele, porque possui lentes especiais, que transcendem o físico e alcançam a alma.

Relação assim regida prossegue para além da vida corpórea. Um parte como flor que fenece ao vento gélido e fica aguardando o outro.

Enquanto espera o amado, a sua é a tarefa de amparar, zelar pelo que ficou nas estradas do mundo. Nas noites de solidão, fala-lhe à intimidade do logo mais e insufla-lhe coragem para não se abater ante os percalços que lhe faltam vencer.

Aguarda-o, no mundo espiritual, como o noivo espera a amada, em dia festivo. E quando finalmente chega o dia da partida, prepara-lhe a chegada e o retoma nos braços em suave amplexo, demonstrando que o amor vence a dor, o sofrimento e a morte.

Muitas almas que assim se amam, na Terra, intensamente, retornam mais tarde, em nova roupagem, novamente unidos e porque amam verdadeiramente, unem-se outra vez para idealizar grandes coisas a bem da comunidade.

É desta forma que encontramos casais unidos na ciência, na arte, na devoção ao semelhante, doando-se muito além do dever.

Tendo vivido o amor na sua essência mais profunda, aprenderam que quanto mais ele se divide, mais se multiplica.

* * *

A senhora Kardec, esposa do Codificador do Espiritismo, após a morte dele viveu ainda por 14 anos.

Enquanto ele viveu, ela lhe foi sempre a companheira fiel de todas as horas, em todas as suas atividades, fossem as pedagógicas ou as dedicadas à Doutrina Espírita.

Desencarnou idosa, aos 87 anos, lúcida e ativa, devotada à causa do Espiritismo.

Redação do Momento Espírita.

Disponível no livro Momento Espírita, v. 8, ed. Fep.

Disponível <
http://www.momento.com.br/exibe_texto.php?id=851>. Acesso: 25 SET 2010.



NÃO JOGUE PELA JANELA

Cenyra Pinto


Não jogue pela janela, como traste inútil, tudo de bom e belo que você recebeu de alguém, só porque esse alguém lhe ofereceu, uma vez, algo que lhe desagradou.

Valorize o que é bom e não seja ingrato, desprezando o que já lhe causou agrado, apenas por uma pequena coisa que lhe entristeceu.

Aprenda a aceitar a fraqueza humana como natural, porque certamente você também comete faltas.

Se você esquece e apaga tudo de bom que recebeu e que nunca lhe tocou a insensibilidade, a ponto de ser grato; se por um acontecimento que lhe desagradou, enraiveceu-se tanto, a ponto de maltratar a quem já lhe deu tantas provas de amizade, está provado que a sua capacidade de amar e reconhecer a bondade é muito pequena ante a força que tem de se ressentir.

Aprenda a valorizar as coisas boas e mantê-las vivas na sua mente, não as apagando só porque o portador dessas coisas boas, num momento de invigilância, lhe desagradou.

A criatura humana é, por vezes, portadora de uma incumbência desagradável como a de testar seus companheiros de luta terrena, o que faz, quase sempre inconscientemente, sem sequer pensar que está executando uma tarefa.

E, assim, quando cai em si e vê que fez algo que a sua consciência condena, decepciona-se consigo mesmo e se entristece.

A vida é assim mesmo. Uns testando os outros, até que a sensibilidade se equilibre e não haja mais necessidade desses exercícios.

Acorde, meu irmão.

Quando você receber o que lhe desagrada, pense que foi você o instrumento de provocação. Lembre-se de que todos nós somos falíveis.

Não jogue pela janela momentos tão bons, tão belos, por um pequeno desencontro.

Não guarde mágoas.

Procure apagar tudo que enfeia a sua trajetória terrena e procure orná-la com flores de compreensão e do amor.

Fonte: “...A Verdade e a Vida”, de Cenyra Pinto.



Eu levo a vida cantando ai lili ai lili ai lou ♪


A canção favorita de Francisco Cândido Xavier



Eu vivo a vida cantando, ai lili, ai lili, ai lou


Por isso sempre contente estou, o que passou, passou


O mundo gira depressa, e nessas voltas eu vou


Cantando a canção tão feliz que diz


Ai lili, ai lili, ai lou


Por isso é que sempre contente estou


Ai lili, ai lili, ai lou...

Musica favorita de Chico Xavier