terça-feira, março 26, 2024

Saudades de Jesus - Joanna de Ângelis






Saudades de Jesus

 Joanna de Ângelis


           
No tumulto que assola em toda parte no planeta terrestre, desequilibrando o comportamento humano, parece não haver espaço para a harmonia, tampouco segurança para a vivência espiritual que dignifica e tranquiliza o Espírito.



As distrações confraternizam com as tragédias e os sorrisos misturam-se às lágrimas, numa paisagem de ilusão e dor, que empurram suas vítimas para o desencanto, a saturação, empobrecimento moral, o vazio existencial.



Multiplicam-se, assustadoramente, os agentes da hipnose do consumismo, em fuga espetacular da realidade, transformando-se em mecanismos impotentes para preencher as lacunas da alma sedenta de paz.



Ignorando-se como adquirir a harmonia íntima, a avalanche dos prazeres apresenta-se como a melhor maneira de desfrutar-se das horas que se vive, não conseguindo, porém, proporcionar bem-estar, por causa da sua fugacidade.



O número incontável de pessoas que não possui, porque desconhece, o sentido profundo da reencarnação, encanta-se com essas fantasias que logo são substituídas por outras, ansiosas e instáveis, que desaparecem na voragem dos conflitos em que sucumbem, sem consciência do que lhes acontece.



Os espetáculos de gozo imediato e fugidio apresentam-se, sempre, multiplicados, atraindo aficionados, que se tornam vítimas do seu fascínio, logo transformado em solidão e mentira.



Os deuses da economia alertam e aprisionam os apaixonados pelo ter e pelo poder nos seus cofres e máquinas de ações e de títulos, entusiasmando-os a ponto de se escravizarem aos jogos das bolsas e negócios variáveis que propõem, segundo eles, a felicidade.



Firmam o conceito de que aqueles que são aquinhoados com a fortuna desfrutam da plenitude porque podem adquirir tudo quanto emociona.



Paraísos de indescritível beleza são-lhes oferecidos para os períodos de férias ou as permanentes férias com a ausência dos sentimentos elevados.



Olvidam que dinheiro nenhum consegue apagar a culpa no imo, oferecer afeto real e de profundidade.



Somente quando a razão abraça a emoção, em perfeita identidade de propósitos, é que o ser pode experimentar plenitude que não tem as aparências das satisfações fisiológicas e das apresentações exteriores em que o orgulho e a presunção destacam-se na sociedade.



O homem e a mulher necessitam de ideais engrandecedores para nutrir-se e crescer interiormente.



As aspirações meramente materiais, as que promovem o exterior, assim que conseguidas perdem o sentido e os abandonam sem consideração.
É nesse sentido que o Evangelho faz falta à sociedade moderna.


* * *


Quanta saudade de Jesus!


A Sua mensagem de ternura e amor, repassada de misericórdia, possui o condão mágico de alterar o significado de todas as existências.



A ingenuidade inserta na sabedoria dos Seus ensinamentos é um poema de atualidade em todos os tempos, que comove, propicia equilíbrio e restaura a compreensão em torno dos deveres que a todos cabe desempenhar.


Porque elegeu os infelizes, ergueu-os do caos em que se encontravam ao planalto da dignidade libertadora, fez-se o mais desafiador exemplo de bondade que o mundo conheceu, e tornou-se modelo para incontáveis discípulos fascinados pelo Seu exemplo, que tentaram repetir a incomparável façanha da compaixão e da caridade.


Revolucionou as convicções, nas quais predominavam o ódio e a vingança, e estabeleceu que o amor e o perdão constituem os elementos, únicos, aliás, p ara a completude individual e coletiva.


Utilizou-se de palavras simples para explicar os dramas complexos, assim como de imagens do cotidiano para elucidar os enigmas dos comportamentos em desvalor, que predominavam, e ninguém jamais falou conforme Ele o fez, emoldurando as palavras com as ações candentes da compreensão do sofrimento humano.


Ninguém valorizou a pobreza e os testemunhos de dor como instrumentos de elevação moral, como Ele o fez.


Nestes dias de complexas angústias, não são diferentes as aflições que necessitam da presença e do socorro de Jesus.


Pode-se afirmar que são mais afligentes, em razão das circunstâncias culturais e comportamentos alienantes, dos desafios e dos impositivos enfrentados, dos interesses em jogo, sob o domínio do ego.


Todos esses fatores, porém, têm as suas raízes no cerne do Espírito, resultado do seu atraso moral dos atos reprocháveis, do descaso pelos valores dignificantes que devem servir de roteiro seguro para a evolução.


Ante a ausência dos afetos que lenificam as aflições morais, dos desastres resultantes dos vícios e prisões emocionais, a figura inolvidável do Rabi faz muita falta aos deambulantes carnais.


Incontáveis mulheres equivocadas e criaturas endemoniadas encontram-se necessitadas do Seu amparo, cuja grandeza enfrentou a hipocrisia vigente em imorredouros testemunhos de afetividade.


Ricos, como Zaqueu, e miseráveis como todos aqueles que Lhe buscaram o auxílio enxameiam e movimentam-se sem norte ante a indiferença dos poderosos, não menos atormentados.


Quanta saudade de Jesus!



* * *








Refugia-te no Amigo que não teve amigos e deixa que Ele te conduza.



Nada te perturbe ou confunda a tua mente, face à corrosão do materialismo dominador.


Medita na Sua vida de dedicação a todos os infelizes, que somos quase todos nós, e propaga-a porquanto, jamais, como na atualidade, Jesus necessitou tanto ser conhecido, para que a existência humana passe a ter sentido na sua imortalidade.




FRANCO, Divaldo Pereira pelo Espírito Joanna de Ângelis. Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na sessão mediúnica de 25.5.2015, no Centro Espírita Caminho da Redenção,  em Salvador, Bahia.



segunda-feira, março 25, 2024

A bênção da gratidão - Joanna de Ângelis






A bênção da gratidão

Joanna de Ângelis


Entre os sentimentos nobres que caracterizam o ser psicológico maduro, a gratidão destaca-se como um dos mais relevantes.


A vida, em si mesma, é um hino de louvor à Vida, portanto, de gratidão incontida.


Vida, porém, é vibração de harmonia presente em todo o Universo.


Limitada nas diversas expressões pelas quais se manifesta, é um desafio em constante desdobramento na busca de significado.


Quando o processo de crescimento emocional liberta o Espírito da sombra em que se aturde, nele se apresenta a luz da verdade, que é o discernimento em torno dos valores significativos que o integram no concerto harmônico do Cosmo.


Buscando a perfeita identidade, na fusão equilibrada do eixo ego/Self, dá-se conta que viver é experienciar gratidão por tudo quanto lhe sucede e tem oportunidade de vivenciar.


A gratidão, dessa maneira, é a força que logra desintegrar os aranzéis da degradação do sentido existencial.


Filha da maturidade alcançada mediante a razão, sobrepõe-se ao instinto, é conquista de elevada magnitude pelo propiciar de equilíbrio que faculta àquele que a sabe ofertar.


Comumente, na imaturidade emocional, acredita-se que a gratidão é uma retribuição pelo bem ou pelos favores que se recebem, consistindo em uma forma de devolução, pelo menos em parte. Inegavelmente, quando se devolve algo dos recursos recebidos, que têm significados saudáveis, opera-se no campo do reconhecimento. 


No entanto, trata-se de uma convenção, efeito do jogo mercadológico da oferta e da procura ou vice-versa.


O instinto de preservação da existência, trabalhando em favor dos interesses imediatistas, age, não poucas vezes, utilizando-se de ações retributivas, especialmente quando estimulado ao prazer.


A gratidão é um sentimento mais profundo e significativo, porque não se limita apenas ao ato da recompensa habitual. 


É mais grandioso, porque traz satisfação e tem caráter psicoterapêutico.


Todo aquele que é grato, que compreende o significado da gratidão real, goza de saúde física, emocional e psíquica, porque sente alegria de viver, compartilha de todas as coisas, é membro atuante na organização social, é criativo e jubiloso.


Predomina, porém, nas massas, que infelizmente diluem a identidade do indivíduo, confundindo os valores éticos e comportamentais, a ingratidão, filha inditosa da soberba, quando não do orgulho ou da prepotência, esses remanescentes do instinto, transformados em sombra perturbadora. 


Em consequência, vivem em inquietação, perturbam-se e desequilibram os demais, cultivando as enfermidades parasitas da agressividade, da violência ou da autocompaixão, entregando-se aos conflitos e realizando mecanismos de transferência de responsabilidades. 


Impossibilitados de compreender a finalidade existencial, a busca de um sentido para a autorrealização, fazem-se omissos, até mesmo no que diz respeito aos seus insucessos, entregando-se a condutas esdrúxulas que pensam poder escamotear os conflitos que os assinalam.


Essa estranha conduta é responsável por alguns mitos que remanescem no inconsciente, e esses arquétipos desculpistas constituem-lhes recursos de auto apaziguamento, dessa forma tentando conciliar a consciência que exige lucidez com o ego que prefere a ilusão.


O Self imaturo sofre o efeito do ego dominador e atribui-se méritos que não possui, acreditando-se credor de todas as benesses que lhe são concedidas, sempre anelando por mais recursos que lamentavelmente não o plenificam. 


Nesse estágio, haure bens que não sabe usar, e amontoam-se em armários ou em bancos, acumulando presunção e  despotismo, sem se integrar no conjunto social em que se movimenta. 


E quando o faz, destaca-se pelo orgulho e pelo falso poder externo, compensando as angústias internas com a bajulação e o aplauso dos outros, que se transformam em estímulo para exibir as qualidades que gostaria de possuir.


Aspira sempre por ter mais, sem a preocupação de ser melhor.


Busca ser respeitado, o que equivale a dizer temido, antes que ser amado, pela dificuldade que tem de amar, o que lhe propicia insegurança e mal-estar disfarçados com os vícios sociais, tais o álcool, as drogas da moda, o tabaco, o sexo apressado e destituído de sentimento emocional compensatório.


Recolhe onde não semeou, por acreditar-se possuidor de direitos que lhe não cabem, impedindo-se o dever de repartir solidariedade e harmonia.


Assume postura agressivo-defensiva, de modo que amealhe sem oferecer, descobrindo inimigos onde existem apenas desconhecidos que não foram conquistados e simpatizantes que não foram atraídos ao seu fechado círculo de egoísmo.


Permanece armado, em vigília contínua, em vez de amando em todas as circunstâncias, ante a irradiação de desequilíbrio que é o seu estado interno.


Introverte-se, quando deveria espraiar-se como as águas generosas do regato, diluindo as fixações que o retêm na infância da evolução antropológica...


O sentido existencial é de conquistas internas, aplicadas em favor da gratificação.


À medida que se recebe, doa-se, e, na razão direta em que se é aceito e querido, mais ama e melhor agradece.


A gratidão é uma bênção de valor desconhecido, porque sempre tem sido considerada na sua forma simplista e primária, sem o conteúdo psicoterapêutico de que se reveste.


Quando se reflexiona em torno da gratidão, quase imediatamente se pensa em devolver parte do que foi recebido, o que a torna insignificante e destituída de valor.


Permanece aí a visão material imediatista, sem os conteúdos psicológicos renovadores. 


Quando observamos uma rosa exteriorizando perfume carreado pela brisa, deparamo-nos com a gratidão do vegetal que transformou húmus e água em aroma delicado.


De igual maneira, o Sol, que responde pela preservação do milagre da vida em múltiplas manifestações, oscula o charco sem assimilar-lhe os odores pútridos e acaricia as pétalas das flores sem tomar-lhes o aroma agradável. 


Essa é a sua forma de agradecer a própria finalidade para a qual foi criado...


Quando o Espírito alcança o objetivo do seu significado imortal e entende-o com discernimento lúcido, abençoa tudo e todos, agradecendo-lhes a oportunidade por fazer parte do seu conglomerado.


A gratidão deve ser um estado interior que se agiganta e mimetiza com as dádivas da alegria e da paz.


Por essa razão, aquele que agradece com um sorriso ou uma palavra, com uma expressão facial em silêncio ou numa canção oracional, com o bem que esparze, é sempre feliz, vivendo pleno. 


Entretanto, aquele que sempre espera receber, que faz e anela pela resposta gratulatória, que se movimenta e realiza atos nobres, mas conta com o alheio reconhecimento, imaturo, negocia, permanecendo instável, neurastênico, em inquietação.


Quando se é grato, nunca se experimenta nenhum tipo de decepção ou queixa, porque nada espera em resposta ao que realiza.


A busca, portanto, da autorrealização é alcançada a partir do momento em que a gratidão exerce o seu predomínio no Self, sem nenhuma sombra perturbadora, constituindo-se uma sublime bênção de Deus.




FRANCO, Divaldo Pereira pelo Espírito Joanna de Ângelis . Psicologia da gratidão. 3° ed. Salvador: LEAL, 2014. (Série Psicológica - Especial, volume 16) 240 p, p. 9-12.

domingo, março 24, 2024

Renascimento - Joanna de Ângelis

Bebês da fotógrafa Anne Geddes


Renascimento


Joanna de Ângelis


A vida morre ou se desestrutura nas moléculas que a expressam para logo depois renascer. 


Tudo se decompõe e volta a reconstituir-se.


O incessante fenômeno da transformação molecular é inerente à condição de transitoriedade de todas as formas e coisas. 


Morre uma expressão e surge outra. 


O movimento vida-morte-vida obedece ao fluxo ininterrupto da imortalidade.


Somente eterno é o Espírito, que transita entre uma e outra aparência orgânica para atingir a excelsa destinação que lhe está reservada.


Essa é a fatalidade estabelecida pelo Pai Criador para todas as expressões sencientes do Universo. 


Mediante os renascimentos em diferentes etapas, o princípio espiritual desenvolve a consciência adormecida e todos os conteúdos da imagem e semelhança de Deus.


A semente, que possui o germe da vida, a fim de fazê-la desabrochar em plenitude, necessita ser sepultada no solo para morrer, quando então desperta e faz-se exuberante.


Também para o Espírito, torna-se indispensável envolver-se na indumentária material, propiciando-se a renovação de energias para desatar a divindade que nele dorme e que o convida a ininterrupto crescimento.


Cada existência orgânica constitui uma etapa através da qual os valores internos fixam-se na consciência, facultando novos investimentos-luz para a viagem de sublimação.


Libertando-se das camadas mais toscas e grosseiras do primarismo por onde inicia a jornada evolutiva, alcança os patamares do sentimento e da razão, programando-se a conquista da angelitude que poderá desfrutar desde o momento que se lhe imponham as intenções de autosuperação.


Renascer da carne e do Espírito, conforme acentuou Jesus no seu momentoso diálogo com o doutor da Lei, Nicodemos, significa sim a imantação nas moléculas constitutivas da germinação que se encarrega de construir o zigoto, depois o feto e, por fim, o ser humano.


Condensando a água que vitaliza com energia a forma física, nela imprime os equipamentos que lhe são necessários, graças às experiências transatas que lhe facultaram aquisição de implementos morais e vivenciais para atingir a meta.


Renasce a planta após a devastação da tormenta. 


Renascem os rios e fontes depois do ardor do verão sob as bênçãos da chuva.


Renascem os sentimentos passadas as ocorrências dilaceradoras.


Renasce a vida em todos os fenômenos conhecidos ou não.


Renasce o Espírito no corpo físico buscando a grande luz.


A experiência evolutiva começa na noite do minério e ruma para a claridade estelar da arcangelitude. É necessário nascer, morrer e renascer, conquistando níveis de sabedoria nos quais o amor e o conhecimento confraternizem em clima de libertação.


Somente através dos instrumentos que facultam o renascimento do corpo, lapida-se o Espírito que faz desabrochar todas as potencialidades adormecidas para cuja finalidade encontra-se no processo de evolução. da felicidade.


Necessário desalgemar-se das imperfeições, a fim de unir os sentimentos na construção da felicidade.


Há muita paisagem bela pelo caminho esperando contemplação.


No entanto, é necessário seguir adiante e vencer as muitas milhas que estão aguardando na estrada do progresso.


Quem se detém, seja por qual motivo for, transfere a oportunidade de conquistar o infinito. 


O hoje desempenha papel de fundamental importância na aquisição do futuro. 


Torna-se, portanto, indispensável investir em luz o que se possui em sombra, que deve ser transformada em claridade de amor e misericórdia.


São o amor e a misericórdia do Pai que facultam ao endividado resgatar o débito e ao calceta, o ensejo de reparar o delito. 


Da mesma maneira, cabe ao ser humano repartir a esperança, conceder ensejo de reparação, ampliar o perdão, a fim de que o seu próximo na retaguarda tenha acesso a outros patamares da emoção e da cultura, para saber, para discernir e para amar sem preconceito nem limitação.


O renascimento surge na árvore vergastada pela poda rude, abrindo-se em verdor, flores e frutos.


Sem qualquer ressentimento pelas ocorrências destrutivas que, em realidade, são apenas ocasiões transformadoras, a vida ressurge do pântano pela drenagem, do deserto pela fertilização, abençoando o mundo e todos os seres.


Morrer, desse modo, é conquistar novo campo vibratório para fortalecer as resistências e renascer crescendo na direção de Deus.


Nunca temas, nem a morte, nem a vida.


Renascerás após o trânsito espiritual conduzindo os tesouros que acumulaste na Terra e no mundo extracorpóreo, que te facultarão melhores investimentos em benefício próprio e da humanidade.


Todo renascimento é festa de compaixão pelo trânsfuga do dever. 


Renascendo, a paisagem está sempre rica de cor, de alimentos, de vida.


O renascimento na carne é a reconciliação do Espírito consigo mesmo, facultando-se ensejo novo para aprender e para viver melhor.


Quando a noite moral te envolver em sofrimentos inesperados e deixar-te em expectativas mais inquietadoras, não olvides que a semente que não morrer, não viverá, conforme acentuou Jesus.


Assim, todo aquele que não passar pela porta estreita do testemunho, não poderá contemplar a madrugada exuberante da imortalidade.


Jamais deixes que a esperança desapareça dos teus sentimentos.


Quando moram determinados objetivos, permanece no bem e renascerão todos eles em forma de novos desafios para o teu crescimento.


Pensamentos extraídos da mensagem Renascimento, escrita em Zurique, Suíça, no dia 1o de junho de 2001.

 

FRANCO, Divaldo Pereira pelo Espírito Joanna de Angelis. Nascente de bênçãos, p.13-16.

quarta-feira, março 20, 2024

O Tronco e a Fonte - Casimiro Cunha

 


O Tronco e a Fonte 

Casimiro Cunha


Um tronco frondoso e verde erguia-se além da fonte.


Perto, o solo pobre e seco, longe, as luzes do horizonte.


Certo dia, disse a fonte: 


- Dá-me a sombra de teu galho, o duro chão me consome, dá-me teu brando agasalho!...


Respondeu-lhe o tronco antigo: 


- Vem a mim! Serei feliz!...


Serás a seiva da seiva que me alimenta a raiz.


Desde então, o tronco e a fonte uniram-se a plena luz da grandeza que dimana da bondade de Jesus.


O tronco reconheceu, vibrando de terno amor, que a fonte era a mãe bondosa de sua seiva interior.


E a fonte viu nele o pai de sua imensa alegria, repousando em sua paz nas lutas de cada dia.


Desde então, cantaram hinos de hosanas ao criador, entre frutos dadivosos na estrada cheirando à flor.


À raiz, a água da vida levava consolação; e o tronco elevou-se ao Céu com a fonte no coração.


Houve sol e sombra amiga, flor e frutos na ramagem; cantigas de passarinho, harmonizando a paisagem.


Duas almas que se irmanam na luz dos afetos seus, são esse tronco e essa fonte guardados no amor de Deus.

 

XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Casimiro Cunha. Cartilha da naturezaSão Paulo/SP:Butterflay editora Ltda,2002, ed.1. Cap 94, p.95.

 

 

 

terça-feira, março 19, 2024

Os Animais - Casimiro Cunha

 



Os Animais 

Casimiro Cunha


Na casa da Natureza, o Pai espalhou com arte as bênçãos de luz da vida, que brilham em toda a parte.


Essas bênçãos generosas, tão ricas, tão naturais, são notas de amor divino na esfera dos animais.


Não te esqueças: no caminho, praticando o bem que adores, busca ver em todos eles os nossos irmãos menores.


A Providência dos Céus jamais esquece a ninguém; Deus que é Pai dos homens sábios, é Pai do animal também.


A única diferença, em nossa situação, é que o animal não chegou às vitórias da Razão.


Entretanto, observamos em toda a sua existência os princípios sacrossantos de amor e de inteligência.


Vejamos a abelha amiga no grande armazém do mel, a galinha afetuosa, o esforço do cão fiel.


O boi tão útil a todos, é bondade e temperança; o muar de força hercúlea obedece a uma criança.


Ampara-os, sempre que possas, nas horas de tua lida.


O animal de tua casa tem laços com tua vida.


A lei é conjunto eterno de deveres fraternais: Os anjos cuidam dos homens, os homens dos animais.


XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Casimiro Cunha. Cartilha da naturezaSão Paulo/SP:Butterflay editora Ltda,2002, ed.1. Cap 98, p.99.

 

 

 

segunda-feira, março 18, 2024

O Incêndio - Casimiro Cunha

 


 

O Incêndio 

Casimiro Cunha


Elevam-se labaredas. . .


O fogo ameaçador foi centelha, mas agora é incêndio devorador.


Ninguém lhe conhece a origem obscura, nebulosa, ninguém sabe onde se oculta a mão rude e criminosa.


A fogueira continua buscando mais alto nível, aumentando de extensão quando ganha em combustível.


Estalam antigos móveis, prosseguem a destruição; em torno anseio infinito, amarga desolação.


Língua rubra, formidanda, varre agora a cumieira.


Toda a casa se esboroa. . .


Sob a ação dessa fogueira.


Desdobra-se o nobre esforço de amparar e socorrer, a bondade põe-se em campo, ciosa do seu dever.


Entretanto, embora o auxílio dos trabalhos de emergência, a nota predominante é o carvão da experiência.


Assim é o mal neste mundo: A princípio, sem que doa, envolve a perversidade em forma de coisa a toa.


Depois, é o braseiro extenso, o furor incendiário, que atinge distância enorme com a lenha do comentário.


Vigia-te a cada instante, atende, pensa, examina!


Todo incêndio começou na fagulha pequenina.


XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Casimiro Cunha. Cartilha da natureza. São Paulo/SP:Butterflay editora Ltda,2002, ed.1. Cap 73, p.74.