Pachelbel - Canon In D Major

sexta-feira, fevereiro 24, 2012

Yvonne do Amaral Pereira - Pedro Camilo


                                                                                 





 

Yvonne do Amaral Pereira

Pedro Camilo


                                                                              
Aquele dia se fizera triste na residência dos Pereira.


Tendo nascido a 24 de dezembro de 1900, com 29 dias de vida a pequenina “Yphone”, como fora inicialmente registrada, sofrera um súbito acesso de tosse, seguido de sufocação, ficando como morta. Chamado o médico da pequena Villa de Santa Thereza de Valença, onde nascera, hoje cidade de Rio das Flores, sul do Estado do Rio de Janeiro, a morte por súbita sufocação foi constatada, e a certidão de óbito lavrada. Afinal, já se contavam seis horas consecutivas de rigidez cadavérica, corpo arroxeado e demais características próprias a um defunto.


Nem um choro era ouvido, nem um gemido. Sua mãe, com o amor que abundam dos corações maternos, não acreditava na morte da pequenina, e como sua fé fosse maior do que um grão de mostarda, orou a Maria Santíssima, Mãe de Jesus, rogando-lhe a intervenção sublime, para que a filhinha fosse trazida à vida. Certa de ser atendida, encerra seu apelo, dizendo:


- E como prova do meu reconhecimento por essa caridade que me fareis eu vo-la entregarei para sempre. Renunciarei aos meus direitos sobre ela a partir deste momento! Ela é vossa! Eu vo-la entrego! E seja qual for o destino que a esperar, uma vez retorne à vida, estarei serena e confiante, porque será previsto pela vossa proteção.

Diante de tão comovedora prece, a Misericórdia Divina compadeceu-se e fez a criancinha despertar com grito estridente, marco das duras provas em que mergulharia durante décadas de sofrimento...


Aos quatro anos de idade já eu me comunicava com Espíritos desencarnados, através da visão e da audição: via-os e falava com eles.”, declara TUTI, como tão carinhosamente era chamada pelos familiares, em Recordações da Mediunidade, obra autobiográfica orientada por Dr. Bezerra de Menezes. Bezerra começou a acompanhá-la desde 1912, e sobre relação com O Médico dos Pobres, ela afirmaria mais tarde:


Em toda a minha vida ele tem me guiado, aconselhado. Enfim, o Dr. Bezerra acabou de me criar e é ele quem ‘manda’ na minha vida; quem me dirige é ele.”


Também por volta dos 12 anos, recebeu de seu pai, espírita antes mesmo do seu nascimento, “O Evangelho Segundo o Espiritismo” e “O Livro dos Espíritos”, obras estudadas e vividas por ela durante toda sua existência.


Muitos Espíritos, além de Bezerra, secundaram-lhe na grande tarefa mediúnica realizada, como: Eurípedes Barsanulfo, na cura de paralíticos, dentre outros; Inácio Bittencourt que, juntamente com Bezerra e outros, orientava o receituário homeopático; Camilo Castelo Branco e Lev Tolstoi, ambos ditando-lhes obras psicográficas; Léon Denis e Chopin, orientadores prestimosos; Roberto de Canalejas, antigo afeto, e; Charles, guia e pai de outros tempos. Este último foi o que mais a marcou, pois nutriam uma afeição recíproca que varava a noite dos séculos, unidos por profundos laços de amor.


A recordação de existências pretéritas foi-lhe marca indelével. Ao todo foram cinco experiências relatadas psicograficamente por Charles, sendo duas em Sublimação, cuja autoria é dividida com Lev Tolstoi, também autor de Ressurreição e Vida, e na trilogia Nas Voragens do Pecado, O Cavaleiro de Numiers e O Drama da Bretanha. Era pretensão de Charles escrever sobre a encarnação que precedeu esta última, mas o Espírito Dr. Bezerra de Menezes interveio, asseverando que seria humilhação demasiada para uma única criatura.


Dedicou-se com afinco ao trabalho com suicidas, através da psicofonia e do desdobramento, posto ter cometido, algumas vezes, esse ato insano em outras existências. Mas foi com Memórias de um Suicida, psicografia de Camilo Castelo Branco, que Yvonne celebrizou-se no meio Espírita. Seu exemplo de prudência e bom senso, guardando a obra por quase trinta anos para certificar-se de quanto ali foi escrito, mereceu gratas considerações de Chico Xavier, que mui sabiamente a designou “Uma Heroína Silenciosa”.


Além das obras citadas, a abençoada faculdade de Yvonne do Amaral Pereira brindou a literatura espírita com as seguintes pérolas: Dramas da Obsessão e A Tragédia de Santa Maria (ditadas por Bezerra de Menezes), Nas Telas do Infinito (de Dr. Bezerra e Camilo Castelo Branco), Amor e Ódio (de Charles), Devassando o Invisível e Cânticos do Coração vols. I e II, sob assistência espiritual.

Notabilizou-se também pelas belíssimas crônicas escritas do próprio punho, sob o pseudônimo de Frederico Francisco (singela homenagem a Fréderic-François Chopin), algumas das quais encontram-se reunidas no livro À Luz do Consolador, compilado e editado pela Federação Espírita Brasileira em 1997.


Por tudo que significa, o nome de Yvonne do Amaral Pereira para sempre ficará registrado na história do Espiritismo no Brasil, e quiçá no Mundo. Afinal, foram quase 84 anos (seu desenlace se deu a 09 de Março de 1984, no Rio) de apostolado mediúnico, de fidelidade a Jesus e a Maria Santíssima, tutora e guardiã, sendo sua vida verdadeira ode ao amor, demonstrando a excelência da Doutrina Espírita na tarefa de redenção das almas arrependidas e decididas à edificação do Reino dos Céus em si mesmas!



FONTE:
PORTAL DO ESPÍRITO. Disponível em http://www.espirito.org.br/portal/artigos/pedro-camilo/yvonne-do-amaral.html. Acesso : 24 FEV. 2012.

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