O Espírita Na Multidão
Emmanuel
O espírita cristão, porque busca realmente
compreender Jesus e raciocinar no Evangelho, é alguém sob regime de
fiscalização permanente.
Daí
procedem as múltiplas contradições nas críticas que recebe.
Habitualmente,
se é generoso, a multidão em torno dirá dele: “é perdulário”.
Se
economiza: “é avarento”.
Se
mantém a disciplina: “é ditador.”
Se
não observa condições e horário: “é irresponsável”.
Se
diligencia renovar as normas conhecidas: “é revolucionário”.
Se
conserva os padrões de hábito: “é inerte”.
Se
usa franqueza: “é descaridoso”.
Se
contemporiza: “é hipócrita”.
Se
brinca: “é irreverente”.
Se
chora: “é obsesso”.
Se
comunicativo: “é estouvado”.
Se
discreto: “é orgulhoso”.
Se
estuda intensivamente: “é afetado”.
Se
estuda menos: “é ignorante”.
Se
colabora com afinco na assistência social: “é santarrão”.
Se
coopera menos na beneficência de ordem material: “é preguiçoso”.
Se
revela ardente fervor nas convicções: “é fanático”.
Se
analisa, como é necessário, as instruções em andamento: “é um céptico”.
Se
trabalha com grande número de pessoas: “é demagogo”.
Se
trabalha em ambiente restrito: “é insociável”.
Efetivamente,
a multidão é nossa família e nada justificaria qualquer propósito de nos
distanciarmos dela, a pretexto de superioridade individual.
Somos
claramente chamados a servi-la.
Com
ela e por ela, é que também nos despojaremos das imperfeições que nos marcam a
vida.
Ainda
assim, conquanto amando-a e abençoando-a, não nos seria lícito esquecer que ela
própria, um dia preferiu Barrabás a Jesus, em lamentável engano.
Atentos
a isso, onde estiveres e como estiveres, coloca-te acima das opiniões humanas,
e serve a Jesus servindo à multidão, ofertando à seara do bem o que fores e o
que tiveres de melhor.
XAVIER,
Francisco Cândido Espíritos Diversos. Paz e Renovação, Cap. 16

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