terça-feira, agosto 24, 2021

99-OS CAMINHOS - Casimiro Cunha

 


99-OS CAMINHOS


Casimiro Cunha


O caminho mais humilde, seja na vila ou na serra, é convite carinhoso que o Pai traçou sobre a Terra.


Qualquer estrada do mundo é sugestão de bondade, por trazer às criaturas os bens da fraternidade.


É a chave silenciosa das mais belas ligações, que aproxima os interesses no elo dos corações.


A avenida na cidade, em luz quente, clara e viva, é chamamento mais forte para a união coletiva.


Se o caminho é do trabalho no labor do ganha-pão, é trilho amado e bendito de muita satisfação.


Se é traço rude e singelo, aberto no campo em flor, abre acesso à Natureza – a eterna mestra do amor.


Há caminhos para o templo, para o lar, para a oficina, todos eles são recursos da Providência Divina.


A excelsa sabedoria jamais esqueceu ninguém, dispondo todas as sendas para a luz e para o bem.


Somente o homem da Terra, na ambição negra e fatal, abusa dos dons do Céu, caminhando para o mal.


Ditoso quem reconheça em toda estrada uma luz, quem conduz à claridade do Caminho, que é Jesus.

 

XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Casimiro Cunha. Cartilha da natureza. São Paulo/SP: Butterflay editora Ltda,2002, ed.1. Cap 99, p.100.

 

 

segunda-feira, agosto 23, 2021

98-OS ANIMAIS - Casimiro Cunha

 



98-OS ANIMAIS


Casimiro Cunha


Na casa da Natureza, o Pai espalhou com arte as bênçãos de luz da vida, que brilham em toda a parte.


Essas bênçãos generosas, tão ricas, tão naturais, são notas de amor divino na esfera dos animais.


Não te esqueças: no caminho, praticando o bem que adores, busca ver em todos eles os nossos irmãos menores.


A Providência dos Céus jamais esquece a ninguém; Deus que é Pai dos homens sábios, é Pai do animal também.


A única diferença, em nossa situação, é que o animal não chegou às vitórias da Razão.


Entretanto, observamos em toda a sua existência os princípios sacrossantos de amor e de inteligência.


Vejamos a abelha amiga no grande armazém do mel, a galinha afetuosa, o esforço do cão fiel.


O boi tão útil a todos, é bondade e temperança; o muar de força hercúlea obedece a uma criança.


Ampara-os, sempre que possas, nas horas de tua lida.


O animal de tua casa tem laços com tua vida.


A lei é conjunto eterno de deveres fraternais: Os anjos cuidam dos homens, os homens dos animais.


XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Casimiro Cunha.Cartilha da natureza.São Paulo/SP:Butterflay editora Ltda,2002, ed.1. Cap 98, p.99.

 

 

 

domingo, agosto 22, 2021

97-O VÔO - Cassimiro Cunha

 




97-O VÔO


Cassimiro Cunha


Aos que aprendem no silêncio, sem sombras e sem entraves, há sempre grandes lições no vôo comum das aves.


Todas elas têm nas asas um dom formoso e excelente, mas cada grupo utiliza-o de maneira diferente.


Recordemos que a avestruz, exemplo que mais destoa, é a maior das grandes aves, muito bela, mas não voa.


As galinhas igualmente, queridas e admiradas, se voam alguns segundos, caem trêmulas, cansadas.


Os patos, perus e gansos, de grande conformação, toleram somente os vôos que as arrastem junto ao chão.


Os corvos pairam no alto, mas o abutre da preguiça aproveita a elevação para a busca de carniça.


As andorinhas, porém, librando no azul da esfera, esquecem o inverno e a lama, procurando a primavera.

 

XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Casimiro Cunha.Cartilha da natureza.São Paulo/SP:Butterflay editora Ltda,2002, ed.1. Cap 97, p.98.

 

 

sábado, agosto 21, 2021

96-O VENTO - Casimiro Cunha

 



96-O VENTO


Casimiro Cunha


Quando passes no meu caminho dando luz ao pensamento, não deixes de meditar na doce missão do vento.


Quem lhe imprimiu tanta força?


Donde vem? De que maneira?


Parece o sopro do céu alentando a sementeira.


Une as frondes amorosas, acaricia a ramagem, é um fluido caricioso amenizando a paisagem.


É o mensageiro bondoso da alegria e da abundância, trocando os germes da vida, vencendo a noite e a distância.


De outras vezes é um amigo com fraternas exigências, que pratica nos caminhos profundas experiências.


Se a flor é infiel à seiva que lhe deu força e guarida, o vento condu-la ao chão, só deixando a flor da vida.


Seu papel na natureza vai da vida à seleção, permutando os germes puros das sementes de eleição.


Também, na vida da Terra, a função do sofrimento parece identificar-se com os fins da missão do vento.


Troca ele as nossas almas, mata as flores da ilusão, refunde os nossos valores em nova fecundação.


O turbilhão de amargores é mais vida envolta em véus povoando a nossa estrada com os germens da luz dos céus.

 

XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Casimiro Cunha. Cartilha da natureza. São Paulo/SP:Butterflay editora Ltda,2002, ed.1. Cap 96, p.97.

 

 

 

sexta-feira, agosto 20, 2021

95-O VAU - Casimiro Cunha

 


95-O VAU

Casimiro Cunha


Por benfeitor venerável, no seio da natureza, rola o rio caudaloso escondendo a profundeza.


Enquanto busca reserva, guardando seu próprio leito, ninguém se arrisca à passagem sem cuidado e sem respeito.


O rio jamais se nega a ceder na travessia, mas todos se acercam dele com a máxima cortesia.


Socorrem-se os viajantes do auxílio de embarcação, e espera-se a ponte amiga como justa construção.


Mas, se um dia, por descuido, o rio apresenta o vau, ai dele! 


O destino agora é triste, amargoso e mau.


Ninguém lhe receia as águas noutro tempo respeitadas; invadem-nas cavaleiros, carros, toras e boiadas.


As correntes que eram puras, e amadas por justa fama, rolam sujas e insultadas de lodo, de lixo e de lama.


A ponte dorme em projeto e o rio, embora a beleza, depois que exibiu o vau, nunca mais teve defesa.


As nossas almas também são como o rio profundo...


A zona de intimidade precisa ocultar-se ao mundo.


O mal quer turvar-nos sempre.


Vigia, resiste e vence-o.


Se queres respeito e paz, não te esqueças do silêncio.

 

XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Casimiro Cunha. Cartilha da natureza.São Paulo/SP:Butterflay editora Ltda,2002, ed.1. Cap 95, p.96.


quinta-feira, agosto 19, 2021

94-O TRONCO E A FONTE - Casimiro Cunha

 


94-O TRONCO E A FONTE


Casimiro Cunha


Um tronco frondoso e verde erguia-se além da fonte.


Perto, o solo pobre e seco, longe, as luzes do horizonte.


Certo dia, disse a fonte: 


- Dá-me a sombra de teu galho, o duro chão me consome, dá-me teu brando agasalho!...


Respondeu-lhe o tronco antigo: 


- Vem a mim! Serei feliz!...


Serás a seiva da seiva que me alimenta a raiz.


Desde então, o tronco e a fonte uniram-se a plena luz da grandeza que dimana da bondade de Jesus.


O tronco reconheceu, vibrando de terno amor, que a fonte era a mãe bondosa de sua seiva interior.


E a fonte viu nele o pai de sua imensa alegria, repousando em sua paz nas lutas de cada dia.


Desde então, cantaram hinos de hosanas ao criador, entre frutos dadivosos na estrada cheirando à flor.


À raiz, a água da vida levava consolação; e o tronco elevou-se ao Céu com a fonte no coração.


Houve sol e sombra amiga, flor e frutos na ramagem; cantigas de passarinho, harmonizando a paisagem.


Duas almas que se irmanam na luz dos afetos seus, são esse tronco e essa fonte guardados no amor de Deus.

 

XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Casimiro Cunha. Cartilha da natureza. São Paulo/SP:Butterflay editora Ltda,2002, ed.1. Cap 94, p.95.

 

 

 

quarta-feira, agosto 18, 2021

93-O TIJOLO - Casimiro Cunha

 


93-O TIJOLO


Casimiro Cunha


Dos serviços da olaria, onde há lama em desconsolo, é justo aqui salientar as sugestões do tijolo.


Barro pobre e ignorado, extraído em baixo nível, a princípio não parece mais que lama desprezível.


Batido, dilacerado, ao peso do amassador, é pasta lodosa e humilde do subsolo inferior.


Após o rigor imenso de luta grande e escabrosa, levado ao forno candente, sofre a queima dolorosa.


Apagado o fogo rude, o tijolo pequenino, embora a modéstia enorme, é retângulo divino.


Saiu da lama humilhada, foi pisado de aspereza, foi queimado, mas agora é base de fortaleza.


Apesar da pequenez, é a nota amiga e segura, que constrói bondosamente a casa da criatura.


É a bênção, filha do pó, que as fornalhas não consomem, é terra purificada, servindo de abrigo ao homem.


Procura, amigo, entender este símbolo profundo: Não te esqueças do trabalho na olaria deste mundo.


Tão logo purificares o barro inferior do mal, a experiência é o tijolo em tua casa imortal.

 

XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Casimiro Cunha.Cartilha da natureza.São Paulo/SP:Butterflay editora Ltda,2002, ed.1. Cap 93,p.94.