terça-feira, agosto 30, 2016

No Exame do Bem - Emmanuel





No Exame do Bem

Emmanuel


Mal e bem!...


Vejamos alguns daqueles que são responsáveis pelo mal, conquanto, de algum modo, se relacionem com o bem:


· Os que falam bem e não agem bem;


· Os que vivem no bem de si, conscientemente foragidos do trabalho pelo bem dos outros;


· Os que apregoam o bem sem cultivá-lo;


· Os que se apresentam bem e não se comportam bem;


· Os que acreditam no poder do bem e exploram o bem do poder;


· Os que se apoiam no bem do dinheiro, sem distribuir o dinheiro do bem;


· Os que destacam o bem da ciência e ridicularizam a ciência do bem;


· Os que identificam claramente o bem e não procuram o bem naquilo que enxergam e naquilo que escutam;


· Os que se instruem bem e não ensinam bem;


· Os que sabem onde se encontra o bem e não se dispõem a preservá-lo;


· Os que se afligem pelo bem-estar, segundo o conforto próprio, e não se preocupam em estar bem, conforme a justiça.


O mal que surge nos que desconhecem o bem é fruto da ignorância.


O mal verdadeiro, o mal que se consolida qual moléstia minaz no organismo do mundo, é sempre o resultado de nossas atitudes, quando conhecemos o bem e apontamos a necessidade do bem, sem vontade e sem coragem de praticá-lo.



XAVIER ,Francisco Cândido ditado pelo Espírito Emmanuel. Hoje , p. 11.



segunda-feira, agosto 29, 2016

Inquietação - Emmanuel





Inquietação


 Emmanuel 



Existem na vida social determinados tipos de inquietação que permanecem estanques, conosco, de vez que o espírito de compreensão e tolerância não nos permite exteriorizá-los. 


Exemplos: 


A pessoa querida que sabemos em caminhos indesejáveis. 


Alguém que estimamos profundamente, a mergulhar-se em atividade clandestinas. 


A companheira que se afasta dos próprios deveres, comprometendo-se em aventuras inconfessáveis. 


O esposo que se envolveu em obrigações incompatíveis com as responsabilidades que abraça. 


O amigo que se entregou a costumes infelizes. 


A maioria das criaturas pertencentes ao grupo afetivo a que nos achamos vinculados, quando se prepara, a fim de dar um golpe de enormes proporções sobre os interesses alheios. 


O irmão que nos mente, a fim de alcançar objetivos escusos. 


O parente amado que deserta de casa, lançando culpas indébitas sobre outrem. 


Justo observar que daríamos quanto se nos fizesse possível para socorrer semelhante corações que se nos fazem extremamente estimáveis, entretanto, o respeito por todos eles nos faz emudecer. 


Ainda assim, compete-nos lembrar que dispomos de possibilidades valiosas a fim de auxiliá-los: a primeira é o silêncio, com que lhes manifestamos o nosso apreço, e a segunda é a oração, porquanto, na oração ser-nos-á possível entregá-los a Deus, cujo amor por todos esses amigos é infinitamente maior do que o nosso.



 XAVIER ,Francisco Cândido ditado pelo Espírito Emmanuel. Hoje , p. 10.

domingo, agosto 28, 2016

Espiritismo - Vozes que iluminam - Altivo Pamphiro




Espiritismo - Vozes que iluminam - Altivo Pamphiro

Imagens - Emmanuel






Imagens


Emmanuel


Assunto já esmerilhado por muitos pensadores: a força das imagens.


Entretanto, é justo simplificá-lo para nosso próprio benefício.


É sabido que o pensamento é vida.


E, sendo vida, é corrente de energias criadoras, gerando formas e realizações.


Em razão disso, estamos quase sempre influenciados ou dominados por aquilo que nós mesmos pensamos.


Habitualmente, na Terra, vemos um companheiro despendendo fortunas em determinados empreendimentos e, às vezes, julgamo-lo muito rico e sovina, em se tratando de beneficência.


Verificada a realidade, em muitos episódios, ele não passa de um homem corajoso e interessado em criar emprego para os outros, empenhado em erguer vasta colmeia de trabalho, em auxílio aos semelhantes, à base de financiamentos e empréstimos que lhe custam enormes sacrifícios.


Notamos um rapaz bem-posto, passando à porta, de braços com uma menina simpática, em certos horários, repetidos em horas certas.


E, com freqüência, imaginando-os unidos, à procura de recanto indicado ao prazer dos sentidos.


Chegando, porém, à verdade, informamo-nos que são eles uma jovem abnegada, conduzindo o irmão quase cego pelo tratamento.


Isso, no mundo, é o que geralmente ocorre.


Na maioria das ocasiões, pensamos que os outros pensam de nós aquilo que pensamos deles.


Eis porque só a idéia do bem a sustentar-nos o espírito é capaz de renovar-nos por dentro, auxiliando-nos a evitar julgamentos preconcebidos, susceptíveis de atirar-nos em frustração e arrependimento, quando venham a surgir as horas da realidade, no relógio do tempo.


À vista do que expomos, tenhamos a coragem precisa de instalar a supremacia do bem no campo de nossas tendências e opiniões, porquanto, unicamente pelo trabalho do bem, atingiremos a paz de quem se vê constantemente desejando a felicidade, sem mentalizar o mal para ninguém.




XAVIER ,Francisco Cândido ditado pelo Espírito Emmanuel. Hoje , p. 09.


sábado, agosto 27, 2016

Jesus Cuidando de Você- Yasmin Madeira



Reflexões em torno dos ensinamentos de Jesus para sua vida diária, seguidas de um momento de energização para saúde da mente, do corpo e das situações desafiadoras.

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Jesus Cuidando de Você - Yasmin Madeira


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 Os Caminhos de Jesus 


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Jesus Cuidando de Você -  Anjo da Guarda


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Jesus Cuidando de Você: Ida ao Santuário da Alma







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Festa Íntima - Emmanuel




Festa Íntima

Emmanuel


Quando podes reagir, reivindicando vantagens que te pertencem, usurpadas por outrem e nada reclamas, mantendo tolerância e renúncia nas próprias atitudes...


Quando ouves referências que te ferem a vida particular e guardas silêncio...


Quando sabes que alguém te prejudica conscientemente e procuras encontrar um caminho de paz, para te afastares do problema, discretamente, sem aborrecer a quem te aborrece...


Quando sofres acusações indébitas sem te queixares...


Quando atravessas difíceis provas domésticas e sociais, sustentando os que te cercam, sem entender as complicações de eu te vês objeto...


Quando carregas com paciência os fardos de trabalho e responsabilidade abandonados em teus ombros por outros irmãos...


Quando suportas tentações, que se te fazem endereçadas por outras pessoas, recusando-lhes os alvitres sem ofendê-las...


Quando choras, diante de impedimentos amontoados por irmãos infelizes em torno de ti, para que te afastes do serviço e continuas trabalhando sem queixas...


Então haverão chegado em teu favor os instantes de festa íntima, de vez que, em todas as ocasiões, nas quais superamos as próprias inferioridades, alcançamos um degrau acima, na conquista de nossa própria sublimação.




XAVIER ,Francisco Cândido ditado pelo Espírito Emmanuel. Hoje , p. 08.

sexta-feira, agosto 26, 2016

Meditação e Aproveitamento - Altivo Pamphiro



Meditação e Aproveitamento -Médium Altivo Pamphiro pelo Espírito Baltazar


10 minutos para refazimento espiritual 

Em Prece - Emmanuel





Em Prece

Emmanuel


Senhor Jesus!


Por três séculos de aflição, na alvorada nascente do Evangelho, quantos Te seguiam, cultivando-Te os princípios e venerando-Te a ressurreição além da morte, eram perseguidos, espezinhados, enxovalhados, espancados, espoliados nos bens mais singelos, trancafiados nos cárceres, algemados em postes de martírios, atirados às presas sanguissedentas de animais ferozes ou apartado daqueles a quem mais amavam, a fim de serem assassinados nas praças públicas!...


Hoje, que as leis humanas evoluíram, cortando, quando possível, os abusos da autoridade e do poder, os espíritas-cristãos, que Te restauram o ensinamento, não são conduzidos para as arenas de suplícios; entretanto, são igualmente escarnecidos, humilhados, injuriados, desprezados, batidos nas mínimas esperanças, relegados ao desapreço do mundo, marcados a fogo de zombaria, indicados aos golpes da calúnia ou incompreendidos nos sentidos mais santos, por buscarem a Religião da Fraternidade e da Justiça com a certeza do túmulo vazio...


Afirmaste, porém, que se quisermos encontrar-Te, não nos resta outra alternativa senão a de tomar nossa cruz e seguir-Te.


Sabemos que estás junto de nós, não por símbolo morto, mas por Mestre vivo e infatigável, sustentando-nos a fé.


Em razão disso, oh! Inefável Amigo, é que os espíritas cristãos e nós outros,  os pequeninos tarefeiros desencarnados que os assistem,  aspiramos acompanhar-Te!


Apaga em nós qualquer impulso à violência, unge-nos o espírito nas fontes vivas da caridade, inclina-nos ao amor e à tolerância, e, embora trilhemos ainda o carreiro obscuro de velhas imperfeições, deixa que te possamos repetir:


- Senhor, as nossas almas endividadas, a caminho de Tua bênção, Te glorificam e Te saúdam!...





XAVIER ,Francisco Cândido ditado pelo Espírito Emmanuel. Hoje , p. 07.

quinta-feira, agosto 25, 2016

Nós e os Outros - Emmanuel




Nós e  os Outros


Emmanuel


Quando te sintas à beira de pesar e desânimo, diante dos contatos sociais menos felizes, reflete na importância dos outros.


Certamente, não nos é lícito aceitar os golpes e os preconceitos que os irmãos menos esclarecidos nos queiram impor, de vez que atendemos ao tato fraterno, em bases de respeito e discernimento.


Não podemos, no entanto, esquecer que os outros são para nós:


· Os companheiros do caminho;


· Os associados de ideal;


· Os colegas de aprendizado;


· Os fornecedores de serviço;


· Os mensageiros do pensamento que arremessamos na direção do futuro;


· Os ouvintes de nossas palavras;


· Os leitores das páginas que mais amamos;


· Os simpatizantes da causa a que empenhamos o coração;


· Os consumidores de nossas idéias;


· Os cultivadores dos princípios que nos clareiam a estrada;


· Os continuadores do esforço que nos marca a existência;


· Os amigos de nossas realizações...


Por muito te doam os desencantos adquiridos na comunidade social, que, aliás, correspondem a preciosas lições de que todos temos necessidade, na escola da experiência, medita na importância dos outros!... 


Eles são efetivamente nossos irmãos e tudo aquilo que fizermos aos outros, determinam as leis da vida seja debitado ou creditado, em nossa conta, diante da Humanidade – nossa família maior.




XAVIER ,Francisco Cândido ditado pelo Espírito Emmanuel. Hoje , p. 06.

quarta-feira, agosto 24, 2016

Desespero - Emmanuel





Desespero

Emmanuel


Provocações e problemas, habitualmente, são testes de resistência, necessários à evolução e aprimoramento da própria vida.


A paciência é a escora íntima que auxilia a criatura a atravessá-los com o proveito devido.


O desespero, entretanto, é sobretaxa de sofrimento que a pessoa impõe a si mesma, complicando todos os processos de apoio que conduziriam à tranqüilidade e ao refazimento.


O desespero é comparável a certo tipo de alucinação, estabelecendo as maiores dificuldades para aqueles que o hospedam na própria alma.


Em conflitos domésticos, inspira as vítimas dela a pronunciar frases inoportunas, muitas vezes separando os entes amados, ao invés de uni-los.


Nos eventos sociais que demandam prudência e serenidade, suscita a requisição de medidas que prejudicariam a vida comunitária se fossem posta em prática no imediatismo com que são exigidas.


Nas reivindicações justas, costuma antecipar declarações e provocar acontecimentos que lhes caberiam atingir.


Nas moléstias do corpo físico, por vezes encoraja o desrespeito pela dosagem dos medicamentos, no doente que precisa da disciplina, em favor da própria cura.


Disse Jesus:


“Bem-aventurados os aflitos porque serão consolados,” mas ruge reconhecer que os aflitos inconformados, sempre acomodados com o desespero, acima de tudo, são enfermos que se candidatam a socorro e medicação.




XAVIER ,Francisco Cândido ditado pelo Espírito Emmanuel. Hoje , p. 05.

terça-feira, agosto 23, 2016

Nos Domínios Da Inteligência - Emmanuel





Nos Domínios Da Inteligência

Emmanuel


Na leira talhada a preço de carinho e devotamento, chegava o pão em forma de fruto, promovendo a abastança e garantindo o trabalho, mas a terra fértil foi abandonada e o mato inculto invadiu-a rapidamente, rebaixando-a à posição de tapera.


Sob o teto primorosamente levantado, situava-se o lar, salvaguardando a segurança e enobrecimento da família, no entanto, deixada vazia, a residência se viu para logo tomada de animais daninhos que lhe deram a forma de pardieiro.


Do coração da terra, brotava a água pura, alentando a fonte e enriquecendo a paisagem, todavia, a corrente detida, entre barrancos do vale, sem utilidade para a natureza criadora, se encontrou imediatamente absorvida pela comunidade microbiana que a transmudou em charco.


Assim a inteligência profundamente cultivada.


O conhecimento superior nela se instala, de modo a ser desentranhado em trabalho constante do bem; a fim de que progresso e educação, virtude e ciência, favoreçam o conforto e o aperfeiçoamento da Humanidade, no entanto, qual acontece no solo fecundo, largado à-toa que se faz tapera, à morada desabitada que se transforma em pardieiro e ao manancial sem serventia que se converte ao charco, a inteligência instruída mas ociosa e desocupada torna-se facilmente em ninho de pensamentos pervertidos ou dementados, transfigurando-se em perigoso foco de obsessão.




XAVIER ,Francisco Cândido ditado pelo Espírito Emmanuel. Hoje , p. 04.

segunda-feira, agosto 22, 2016

Construir - Emmanuel





Construir

Emmanuel


Em muitas ocasiões, lamentamos as dificuldades para fazer aquilo que os mensageiros do Senhor nos solicitam.


Todos eles nos pedem construir o bem, onde estivermos. 


Dentro de casa, no lugar de trabalho, nos encontros e nas ruas. 


Em suma, levantar os alicerces do bem que estamos aguardando para os dias porvindouros.


Sabemos o que fazer mas, habitualmente, nos detemos nos obstáculos e divergências, perdendo tempo e oportunidade.


Não raro, subestimamos a sinceridade e a franqueza dos amigos valorosos que
nos convidam à coragem e à persistência na execução de nossos encargos e identificamo-nos, com facilidade, com os que choram e se lastimam ao invés de trabalhar.


Aderindo à falange da queixa, passamos a censurar o clima social, clamamos contra o afastamento de determinados companheiros, apresentamo nos na condição dos peregrinos de pés sangrentos e exibimos as mãos calejadas.


Entretanto, não fomos engajados na obra do Cristo para fiscalizar o comportamento do próximo, para inventariar reclamações, deplorar-nos ou chorar inutilmente e sim para construir .


Se nos sentimos incomodados por inquietações e discórdias, estirados em azedume e tristeza, levantemo-nos para servir.


Cada pequenina realização é um tijolo simbólico assentado na edificação a que
fomos submetidos.


O diálogo com a criança, insuflando-lhe pensamentos de compreensão e generosidade. 


Uma frase de bom-ânimo para com os amigos ameaçados pelo esmorecimento. Um apelo à renovação dos companheiros abatidos. 


Algum comentário sobre a necessidade de mais luz e mais dedicação no desdobramento das tarefas de benefício, em favor do próximo. 


A migalha amoedada com que se atenua a aflição ou a penúria de alguém. 


O amparo ao doente. 


Qualquer desses recursos são tijolos de paz e amor na conscientização do Reino do Bem.


Não importa que a ventania da discórdia esteja rugindo em torno de nós. 


importante será erguer o coração e as mãos, a palavra e a atitude para construir.




XAVIER ,Francisco Cândido ditado pelo Espírito Emmanuel. Hoje , p. 03.

domingo, agosto 21, 2016

Desde os tempos das Cruzadas - Divaldo Pereira Franco




Desde os tempos das Cruzadas


Divaldo Pereira Franco


“Uma das assistidas pela ‘Caravana Auta de Souza’, uma moça tuberculosa, de vinte e dois anos, ficou gávida. 


Um dia eu soube que ela estava muito mal. 


Fui visitá-la, no casebre de taipa e palha. 


Quando lá cheguei o menino já havia nascido, há alguns dias, e estava sobre uma rede em cima da cama dela. 


doente me disse:


- Irmão Divaldo, eu não posso morrer, porque não tenho com quem deixar o meu filho. No dia em que alguém puder tomar conta dele, morrerei em paz.


– Então, minha irmã – respondi-lhe -, morra em paz, já que eu vim aqui em nome de Auta de Souza, para tranqüilizá-la e dizer-lhe que tomaremos conta de seu filho.


– Olhe meu filho – pediu-me.


Olhei-o e o vi gordo, muito pretinho, todo caiado de talco…


– Quando me dão dinheiro – explicou a mãe – eu deixo de comprar comida para mim, para comprar leite e pó-de-arroz para passar nele.


– Pode ficar em paz, minha irmã, pois ele será meu filho.


– O senhor garante que fará meu filho feliz?


– Garanto.


– Então, fique com Deus!


Foram suas últimas palavras. 


Virou a cabeça para o lado, teve uma hemoptise e morreu. 


Chamei algumas pessoas para ajudarem.


Veio uma das tias, levou o menino e, após tirarmos o cadáver ateamos fogo no barraco. 


Depois, fizemos o enterro. 


Quando o garoto estava com oito meses adoeceu, ficou muito mal.


Preocupado, vendo-o quase morto, dobrei-me sobre ele, ao lado da cama, e comecei a aplicar-lhe passes, rogando, com muito fervor, a Jesus, que lhe restituísse a saúde.


Nisso, vi aproximar-se um ser venerando. 


A entidade era tão luminosa que, antes de se adentrar pelo quarto, vi como se
alguém estivesse caminhando pelo corredor, carregando uma lanterna, com uma luz oscilante. 


Por debaixo da fresta da porta, a luz movimentava-se chamando-me a atenção, e vi, através da porta, um Espírito vestido à moda do século XVII, na Inglaterra, com a gola muito alta e eriçada, as mangas bufantes, terminadas em punhos de renda. 


Olhou para a criança e falou-me:



– Meu filho não deve voltar agora. 


Vou desdobrá-lo a fim de o vitalizar. 


Deite-se ao lado dele, pois vou fazer uma transfusão de forças, perispírito a perispírito.


Atendi-lhe a solicitação. 


Ele estava prostado pela pneumonia, febre alta e eu tinha receio de uma convulsão, pois estava com temperatura de quarenta graus. 


Ele se desdobrou e surgiu aos meus olhos como um pajem francês, de onze anos aproximadamente, os cabelos penteados à escovinha, na testa, a roupinha negra, a camisa branca rendada, o laço de fita negra , os sapatos “scarpin” com fivela de prata. 


Ele me pediu:



– Tio, não me deixe morrer. 


Eu tenho que viver para um dia poder unir-me à mamãe.


– Peçamos a Deus meu filho. 


Ela começou a orar. 


O corpinho da criança tremia, enquanto recebia a transfusão de forças, de prana, de energias ectoplásmicas.


 Após trinta minutos, aproximadamente, ela voltou para falar-me:


– Ouço uma voz que afirma que as nossas preces foram atendidas: ele ficará na Terra.


O jovenzinho espiritual, prestamente, retornou ao corpo e eu o vi encaixar-se para prosseguir na prova redentora. 


A criança agora transpirava abundantemente. 


Mudei-lhe a roupinha. 


Ela, zelosamente recomendou-me:



– Não lhe deixe a temperatura cair muito, a fim de evitar-lhe um colapso cardíaco. 


Começamos a conversar, já bem mais tranqüilos perguntei-lhe:



– Desde quando a senhora é mãe dele?


- Desde o século XI, tenho sido sua mãe, várias vezes, e ele sempre que mergulha na névoa do mundo, perde-se de mim. 


Esta reencarnação é-lhe decisiva, porque veio nessa condição para aprender a humildade, sem o carinho de mãe, recebendo os beijos e a ternura dos outros. 


Não o deixe fracassar desta vez.



Ele tem que servir a Jesus, custe o que custar. 


Meu filho tem que resgatar os crimes cometidos durante a Terceira Cruzada,
de que participou…



– Mas, por que a senhora demorou tanto para aparecer?



– porque antes de vir vê-lo, visitei todos os que aqui nesta casa não têm mãe. 


Fui primeiro ver os filhos cujas mães, no Além, não os podem visitar e deixei o meu – porque todos são de Deus – por último; eu queria passar antes pelos que não receberam a visita da própria genitora. 



Quase cheguei tarde, mas, o meu dever é amar os estranhos para mais amar a meu filho.



Ela me falou com tanto amor e ternura que comecei a chorar, diante daquele corpinho frágil que necessitava prosseguir na vida física.



– O menino vai viver – afirmei-lhe – porque, se depender de nós, de mim, minha irmã, tudo faremos, nem que eu tenha que lhe dar o meu corpo, a minha vida. 


Ele viverá! 


Deus vai nos ajudar.



– Faça isto, Divaldo. 


Daqui a dez anos eu voltarei. 


Despediu-se de mim e desapareceu. 



No dia seguinte, Tagore escreveu para esse menino a página “Testamento do Rei”, que está no livro Filigranas de Luz.



Dez anos depois, no dia do aniversário dele, eu participava de sua festinha – nós comemoramos os aniversários do mês em uma mesma data e aquele era o dia do aniversário dele – quando me lembrei de sua mãe espiritual e fiz uma prece. 


Ao final, ela apareceu-me. 


Apresentou-se-me com a mesma beleza espiritual e afirmou-me:



– Nas Leis do mundo espiritual, quando alguém comemora dez anos, adquire mérito para um pedido à Divindade. 


Quem é fiel e permanece no trabalho por um decênio já não é mais um entusiasta, tornando-se credor do prosseguimento na tarefa.


Meu filho viverá. 


Tenho noticias que ele vai viver até ultrapassar a idade na qual ele maculou o nome de Cristo, pela conduta irresponsável.



- Com quantos anos ele se comprometeu?



– Com vinte e seis anos.



Esse Espírito esclareceu-me, ainda, que se não houvesse muito amor em volta dele, os obsessores desencarnavam-no, porque ele era sugado, vampirizado pelas vitimas de antanho. 


A Terceira Cruzada deve ter sido há uns 800 anos e pregada por Guilherme, arcebispo de Tiro. 


Agora é que ele está resgatando. 


Indaguei-lhe o porque dessa demora em reabilitar o passado. 


Ela explicou-me:



Ele voltou sempre na viciação clerical. 


Cristo, para ele, era só um móvel para atingir as metas. 


Era o interesse da igreijificação do poder. 


No século XIX ele veio com o “mal de Hansen”, que lhe foi o grande despertador e agora veio para outra prova.



– Mais tarde – prosseguiu ela – será encaminhado à mediunidade, especialmente para o trabalho anônimo e cansativo dos passes. 


A terapia dos passes é uma tarefa de redenção, onde a pessoa dá de si mesma e depois, quando o paciente se recupera, ignora quem o ajudou.



Ela se despediu, prometendo retornar após mais dez anos.



Acho esse fato de uma beleza comovedora.


*


É impressionante a riqueza desses fatos que Divaldo narra e que, graças à sua mediunidade, tornam-se conhecidos. 


Um barraco de taipa e palha, uma mulher tuberculosa, um bebê recém-nascido compõem um novo quadro, um novo ato do pungente drama humano, tendo como pano de fundo a dor e a miséria.



Mas a mulher, prestes a abandonar a vida terrena, luta para manter o filho – a vida que se inicia na carne. 


Morte e vida!



O crepúsculo, o dia que finda e o amanhecer de promessas e esperanças, no constante confronto dos contrários. 


Tese e antítese que se vão fundir na síntese final da Vida queprossegue além da vida.


Mas, alguém vela por essa solidão e entra no barraco como se fosse o próprio sol a dissipar as sombras dos mais tristes presságios que invadiam o coração dolorido da pobre mãe.


– Ele será meu filho – promete. 


– Eu o farei feliz.


Ela ouve a promessa, o compromisso selado à beira de dor, feliz -, aquietando-se-lhe, então, a alma que se despede, de chofre, como se o débil organismo físico a expulsasse, entre as dores de um parto em que a vida triunfa, definitivamente, da morte.


Aparentemente uma história simples e triste. 


A criança é levada para a sua nova vida. 


É apenas um bebê, mais um, dos muitos que já passaram pela “Mansão do Caminho”. 


Aos 8 meses enferma gravemente. 


Divaldo, em plena vivência da promessa, aflige-se. 


É seu filho, que ali está enfermo, com risco de vida.


Em sua aflição ora e intercede por ele. 


Aplica-lhe passes; preocupa-se. 


Neste momento tem uma belíssima visita, conforme descreve. 


Um detalhe que primeiro chama a atenção é que Divaldo vê a entidade através da porta; ela ainda não havia entrado no quarto.



* * *



Em O Livro dos Médiuns, Allan Kardec dedica o Capítulo VI às questões das Manifestações Visuais, e à certa altura diz: 


microscópio nos revelou o mundo dos infinitamente pequenos, de cuja existência não suspeitávamos; o Espiritismo, com o auxilio dos médiuns videntes, nos revelou o Mundo dos Espíritos, que por seu lado, também constitui uma das forças ativas da Natureza.



Com o concurso dos médiuns videntes, possível nos foi estudar o mundo invisível, conhecer-lhe os costumes, como um povo de cegos poderia estudar o mundo visível com o auxílio de alguns homens que gozassem da faculdade de ver” (item 103).



Também no Capítulo XIV, referente às categorias de médiuns, o Codificador esclarece quanto aos médiuns videntes: 


“A faculdade consiste na possibilidade, senão permanente, pelo menos freqüente de ver qualquer Espírito que se apresente, ainda que seja absolutamente estranho ao vidente. 


A posse dessa faculdade é o que constitui, propriamente falando, o médium vidente.



“Entre esses médiuns, alguns há que só vêem os Espíritos evocados e cujas descrição podem fazer com exatidão minuciosa.



Descrevem-lhe, com as menores particularidades, os gestos, a expressão da fisionomia, os traços do semblante as vestes e, até, os sentimentos de que parecem animados. 


Outros há em quem a faculdade da vidência é ainda mais ampla: vêem toda a
população espírita ambiente, a se mover em todos os sentidos, cuidando, poder-se-ia dizer, de seus afazeres. (item 168).


* * *



Pela vidência Divaldo acompanha todo o desenrolar do socorro que a mãe presta ao filho, sendo ele próprio convocado a colaborar com suas energias para a renovação das forças da criança, o que proporciona então uma renovação orgânica contra a infecção. 


Um outro ponto se destaca: é o desdobramento do Espírito encarnado no corpo infantil. 


Quando este surge diante do médium está com usa aparência anterior, isto é, de sua última existência.



Isto nos recorda um capítulo de nosso livro Testemunhos de Chico Xavier, editado pela FEB, intitulado “Um sonho que se realizou”, no qual Chico narra, em carta datada 25-11-1948, que em desdobramento encontrara um Espírito cercado em luz, a Sra. Virgínia e um cavalheiro num jardim. 


Esta era mãe do Dr. Wantuil de Freitas e o cavalheiro ele identificaria, mais tarde, em Zeus Wantuil, àquela época uma criança. 



Note-se que embora criança, fisicamente falando, Zeus – Espírito apresenta-se como adulto, quando em desdobramento.



A narrativa de Divaldo e Chico Xavier apresentam esta similitude. 


Antes de qualquer comentário é oportuno meditarmos o quão pouco sabemos a respeito do perispírito.



Sabe-se que, no processo reencarnatório, o perispírito sob o comando do Espírito miniaturiza-se e assume a morfologia que terá daí por diante à qual imprime no corpo em formação. 


Este processo só se completa quando a criança atinge os 7 anos de idade. Infere-se, portanto, que durante estes sete primeiros anos o Espírito poderia ter, em certos casos, uma autonomia maior, conforme lhe fosse conveniente.



Assim se explica, de maneira lógica, essa plasticidade do perispírito de um Espírito encarnado, que traz consigo, inclusive, muitas lembranças do passado. A programação das reencarnações varia ao infinito e tanto no caso da criança
enferma quanto no de Zeus houve permissão – talvez por necessidade e/ ou mérito – dessa autonomia.



Só aos poucos vamos desvendando essas nuanças do processo reencarnatório, das funções do perispírito e, isto, graças à mediunidade e à revelação dos Espíritos. 


Ressalta ainda deste texto a comovedora dedicação da Entidade que se apresenta como mãe espiritual da criança. 


A ligação entre ambos, como mãe e filho, vem desde o século XI. 


Ela explica que ele cometera graves crimes por ocasião da Terceira Cruzada.


* * *


As Cruzadas eram expedições militares de caráter religioso, quando leigos e religiosos se uniram numa tentativa maciça de recuperar a “Terra Santa da Cristandade” em poder dos muçulmanos infiéis.



As Cruzadas aconteceram entre os séculos XI e XIII. 



Os historiadores costumam estabelecer as seguintes datas para as Cruzadas:Primeira  Cruzada 1096 – 1099; 


Segunda Cruzada 1147 – 1149; 


Terceira Cruzada, 1189 – 1192; 


Quarta Cruzada, 1202 – 1204; 


Cruzada das Crianças, 1212; 


Quinta Cruzada, 1218 – 1221; 


Sexta Cruzada, 1228 – 1229; 


Sétima Cruzada, 1248 – 1264; 


Oitava Cruzada, 1207 – 1274.



Essas guerras convulsionaram a Europa e o Oriente Próximo durante 178 anos. 


“Entre as “guerras santas” nenhuma foi mais sangrenta e mais dilatada do que as Cruzadas cristãs, durante a Idade Média. 


Além da alegação notória que as lançou – tomar os Lugares Santos da Cristandade em Jerusalém -, a Igreja de Roma viu nelas uma oportunidade de alargar para o Oriente os seus domínios, onde imperava a sua grande rival, a Igreja Grega. 


Os reis e senhores feudais da Europa ocidental viam perspectivas de adquirir novas terras e riquezas e o clero esperava encontrar um escoadouro para os rixentos e desordeiros.



“Os próprios Cruzados obedeciam a impulsos conflitantes.



Tomando a cruz, tinham perfeita noção das recompensas prometidas pela Igreja – inclusive a remissão de penitências pelos pecados e moratórias para as suas dívidas. 


Muitos, porém, mostravam-se dissolutos e brutais. 


Violavam e saqueavam outros cristãos e cometiam terríveis atrocidades contra os inimigos muçulmanos. 


Contudo, uma grande força de fé também dirigia os Cruzados, uma profunda reverência pelo solo pisado por Jesus.



“Os Cruzados recuperaram os Lugares Santos, mas só os mantiveram em sua posse menos de cem anos. 


E tanto nessa obra de conquista como na realização do sonho de estender até o
Oriente o poderio do Ocidente, os Cruzados fracassaram, ao final. Ao se encerrarem as Cruzadas, a lei de Maomé dominava as terras onde se haviam travado as batalhas.



O império bizantino dos cristãos orientais estavam sobre si própria. 


Porém jamais seria a mesma Europa; suas janelas para o mundo tinham-se aberto e todos os aspectos da vida medieval haviam sido afetados”. (Dados extraídos da “Biblioteca de História Universal Live”).


* * *



A Terceira Cruzada aconteceu no século XII, entre 1189 e 1192, e foi por esta época que o Espírito hoje reencarnado no menino adotado por Divaldo, se comprometeu gravemente. 


A própria mãe esclarece que ele usou o nome do Cristo para se locupletar através do poder que a Igreja lhe conferira.



Como se pode perceber a cada passo dos ensinos dos Espíritos, a cada testemunho vivo apresentam o quanto são gravíssimos os crimes perpetrados em nome do Cristo. 


São os mais hediondos que o ser humano pode cometer, pois além do crime em si ainda levam o agravante de usarem o nome d’Ele, que para todos nós deveria ser sagrado. 


Entretanto, em nossa mesquinha pequenez quantas vezes o usurpamos para mascarar nossas tenebrosas intenções?



E hoje, engajados nas hostes espiritistas, o que estamos fazendo do nome d’Ele? 


Da sua mensagem? 


Do Consolador que Ele prometeu à Humanidade? 


O que fazemos do Cristo?


FONTE
SCHUBERT, Suely Caldas. O semeador de estrelas. Salvador: Livraria Espírita Alvorada Editora, 1993. Pgs 161 – 170.


Recomendamos a leitura na íntegra do livro que traz relatos magníficos de experiências acontecidas na vida de Divaldo Franco.