Minutos de Paz !

sábado, junho 05, 2021

19-A ENCHENTE - Casimiro Cunha

 



19-A ENCHENTE

Casimiro Cunha

 

O quadro é lindo e imponente na calma da natureza, a massa da água é mais bela, mais suave a correnteza.


 O rio enorme extravasa, conquistando as cercanias, encaminha-se às baixadas, desce às furnas mais sombrias.


 torrente dilatada estende a dominação, refresca e fecunda o solo nas zonas de plantação.

Mas, em haurir-lhe a grandeza, os bens, a virtude, a essência, precisa-se em toda parte muita luta e previdência.


Aterros, diques, cuidados, trabalhos e sacrifícios, todo esforço é necessáriopor colher-lhes os benefícios.


Sem isso reduz-se a enchente às grandes devastações, ameaças, lodo e vermes, mosquitos, flagelações.


A abundância generosa foi vista e considerada; Entretanto,  a imprevidência guarda a lama envenenada.


 Reconhecendo a beleza deste símbolo profundo, podemos ver no seu quadro muita gente deste mundo.


O poder, a autoridade, a fortuna, a inteligência, são enchentes dadivosas da Divina Providência.

Mas, se o homem não vigia, é várzea que inspira dó.


A abundância não lhe deixa mais que lodo, lixo e pó.


XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Casimiro Cunha. Cartilha da natureza. São Paulo/SP:Butterflay editora Ltda,2002, ed.1. Cap 19, p.18.


sexta-feira, junho 04, 2021

18-A DERRUBADA - Casimiro Cunha

 


18-A DERRUBADA

Casimiro Cunha

 

Rangem troncos seculares aos golpes do lenhador.


É o machado formidando no impulso renovador.


Toda a floresta se agita em terríveis convulsões, continua a derrubada que precede as plantações.


Sol quente. Suor. Serviço.


E as árvores vigorosas estraçalham com fragor as frondes cariciosas.


Após o trabalho ingente, a invasão do fogaréu; Fumo espesso devorando a doce amplidão do céu.


Gritam aves assustadas, sem ninho, sem paz, sem guia, animais inferiores vão fugindo em correria.


A seguir vem a coivara completando a grande prova, é o termo da derrubada a favor da vida nova.


Somente aí são possíveis, pasto verde e espiga loura, pomares e sementeiras, celeiro, casa e lavoura.


Já observastes que o homem, ao longo de toda a estrada, precisa também, por vezes, das foices da derrubada? É a dor proveitosa e rude, surgindo em golpes violentos, a força que retifica a mata dos sentimentos.


Sem trabalho não teremos, no caminho universal, nem casa com Jesus -Cristo nem pão espiritual.


XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Casimiro Cunha. Cartilha da natureza. São Paulo/SP:Butterflay editora Ltda,2002, ed.1. Cap 18, p.17.

 

 

quarta-feira, junho 02, 2021

17-A COVA - Casimiro Cunha



17-A COVA

Casimiro Cunha

 

Raro é aquele que medita contemplando a terra impura, no trabalho peregrino da cova pequena e escura.


Assemelha-se à ferida sobre a leira dadivosa, indicio de golpes fundos da enxada laboriosa.


Mas, na essência, a cova simples, singela, desconhecida, é o altar da Natureza, celebrando a luz da vida.


É seio aberto à beleza, ao bem que se perpetua, a existência renovada que se eleva e continua.


É o sepulcro onde a semente, em sombra e separação, vai, morrendo, reviver nas bênçãos da Criação.


E eis que a vida se elabora nessa doce intimidade, renovando-se aos impulsos de força e imortalidade.


Depois do apodrecimento, germinação e esplendores, verdes galhos de esperança, tenros ninhos promissores.


Mais tarde, o tronco, a colheita na fartura indefinida...


Tudo, a obra generosa da cova humilde e esquecida.


Esse símbolo expressivo vem lembrar, à criatura, o campo do cemitério e o quadro da sepultura.


Inda aí, a cova amiga é sempre o sublime umbral, porta aberta ao crescimento no plano espiritual.

 

 

XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Casimiro Cunha. Cartilha da natureza. São Paulo/SP:Butterflay editora Ltda,2002, ed.1. Cap 17, p.16.

 

 

terça-feira, junho 01, 2021

16-A CONSTRUÇÃO - Casimiro Cunha

 


16-A CONSTRUÇÃO

 

Casimiro Cunha

 

O homem sensato e nobre, quando faz a moradia, toma alvitres à prudência, conselho à sabedoria.


Primeiramente examina o local, a posição, e edifica os alicerces devidos à construção.


Não se cansa de escutar as vozes da sensatez, que sugerem vigilância e induzem à solidez.


Muito antes da parede, da janela, do portal, reflete fazendo contas e escolhe o material.


Raciocina por si mesmo, não perde ponderações, e estuda todo problema das suas aquisições.


Não se atira a preço baixo, de matéria condenada; A sucata não lhe serve, nem madeira carunchada.


Acima de toda ideia.


Vibra a ideia de seu lar, seleciona a caráter cada coisa em seu lugar.


Impõe-se nos seus desejos, sereno, prudente, ativo; O senso da qualidade garante-lhe o objetivo.


Esse homem previdente dá lições a cada qual, na construção do edifício da vida espiritual.


Escolhe teus pensamentos no dever que te governa.


Ideias, palavras, atos, constroem-te a casa eterna.


XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Casimiro Cunha. Cartilha da natureza. São Paulo/SP:Butterflay editora Ltda,2002, ed.1. Cap 16, p.15.