Pachelbel - Canon In D Major

segunda-feira, abril 20, 2015

Cura e Autocura - Divaldo Pereira Franco






Cura e Autocura


Palestra de Divaldo Pereira Franco 




O Almirante Hart, depois da Segunda Guerra Mundial, elaborou uma evocação que nos parece muito oportuna para darmos início ao nosso encontro.


Essa evocação tem passado através de diferentes épocas, como sendo de um autor anônimo, com muitas variantes.


Ele disse mais ou menos assim: 


“Senhor, dá-nos a serenidade, para aceitar tudo quanto devemos aceitar, para aceitar tudo aquilo que é difícil de ser aceitado. Mas, dá-nos sobretudo sabedoria, para distinguir uma coisa da outra.”


É essa sabedoria que deve vigir em nossos sentimentos, para discernirmos aquilo que podemos modificar.


E aquilo que não nos é possível alterar.


Aceitando e incorporando ao nosso “modus vivende” e de maneira agradável, positiva e realmente feliz. 


A grande problemática do binômio saúde-doença, é das mais relevantes da historiografia do processo antropológico do ser humano.


Se examinarmos essa problemática, ela tem sido motivo de discussão em todas as áreas do pensamento.


E naturalmente, a ciência aliada à tecnologia tem avançado, para oferecer ao ser humano longevidade.


Não apenas uma vida muito longa, senão uma vida muito saudável.


O importante não é que vivamos muitos anos, é que vivamos bem em cada momento da nossa vida.


A existência terrestre não deve ser contada apenas pelo número de anos que o ser biológico viveu.


Mas, pelos incomparáveis momentos de felicidade, que todos podemos fruir a cada instante.


A Organização Mundial de Saúde, para poder situar bem a problemática do binômio saúde-doença, estabeleceu que saúde não é a falta de doença.


Durante muito tempo pensávamos, que uma pessoa saudável é uma pessoa que não se encontrava doente.


A visão psicológica, sociológica da Organização Mundial de Saúde neste momento, é muito ampla e holística.


Estabelece que saúde é o resultado de três fatores que se conjugam: harmonia fisiológica, bem-estar psicológico e equilíbrio sócio-econômico.


Nós vemos que muitas nações perderam a saúde.


E toda vez que as bolsas do Oriente cambaleiam, a saúde das bolsas do mundo, também periclita.


Para que tenhamos saúde, é necessário que nos encontremos em equilíbrio sócio-econômico, para evitarmos tensões, preocupações, consequentemente, desarmonia.


A grande proposta hoje, da Ciência Médica, é aquela que objetiva o ser integral.


Não apenas o indivíduo que desfrute de saúde orgânica e que se encontre no patamar ainda inferior, na sua proposta de natureza de consciência.


É exatamente oferecer esses recursos que a psicossomática denomina como preponderante no comportamento humano.


Nós somos uma realidade muito diferente daquilo que estamos.


Estamos numa personalidade transitória, elaborada por fatores genéticos psicossociais, sócio-econômicos, sócio educacionais.


Mas, nós somos um ser de interação universal, um ser eterno, que transita etapa a etapa, através desse fenômeno biológico da fecundação e que abandona o processo orgânico por outro fenômeno biológico da morte o da desencarnação.


Para as modernas pesquisas da psicologia transpessoal o ser não é apenas a argamassa celular. 


Estabeleceu-se no academicismo físiopsicológico que a criatura humana era o seu cérebro, e esse cérebro passou por grandes avaliações.


No começo do século acreditava-se que a criatura humana era os seus neurônios.


E esses neurônios, até mais ou menos 1920, eram calculados em 5 bilhões aproximadamente. 


Havia se estabelecido e mantém-se, que esses neurônios nascem com o indivíduo, é a fatalidade biológica.


Mas a medida em que eles morrem, não há uma renovação.


E por isso, obedecendo a lei da termodinâmica na área da entropia (medida da quantidade de desordem num sistema), envelhecer e o morrer são inevitáveis.


A viagem para o caos, para o desgaste, para a desorganização da energia, é um fator irreversível.


Mais ou menos na década de 40, os neurofisiologistas constataram, que o nosso cérebro possui aproximadamente 10 bilhões de neurônios.


Com o advento dos telescópios e microscópios eletrônicos, particularmente dos últimos, a década de 50 foi muito auspiciosa.


Nós seríamos dotados de 50 bilhões de neurônios.


Mais recentemente, ao eclodir a década de 80, as investigações levaram-nos a aproximadamente, 75 bilhões a 100 bilhões de neurônios.


Estabelecendo que o homem tem muito mais neurônios do que as mulheres, para nada, absolutamente inócuos.


O cérebro deixou de ser aquele órgão mítico e desconhecido, para ser considerado uma glândula.


Porque se percebeu que esses neurônios funcionavam quase como as glândulas endócrinas.


Eles elaboravam enzimas.


Até há 10 anos se havia classificado o número de 36 enzimas, mas hoje, são aproximadamente, 60 peptídeos ou neuropeptídeos.


A sua área mais forte, está exatamente, na área límbico-hipotalâmica, que é chamada área quente.


Aí é que está praticamente, a nossa vida, a nossa saúde.


Nas paredes gastrointestinais, esses peptídeos encontram-se numa larga rede.


Graças a eles, nós temos admiráveis enzimas, como a interferona, a endorfina, a hemoglobina e tantos outros.


Temos um choque, imediatamente vem um colapso periférico, uma sudorese, um resfriamento.


Temos uma emoção, alguns enrubescem, eu empalideci.


Nós naturalmente começamos a evocar uma cena agradável, e temos uma descarga de adrenalina na corrente sanguínea.


Uma cena desagradável, e naturalmente, experimentamos uma grande descarga de dopamina.


Tomamos um choque e antes que o cérebro registre a reação, já ele percebeu que íamos tomar um choque, um golpe, e derrama a endorfina e não temos nenhuma sensação.


As vezes temos um hematoma, uma equimose e dizemos, não lembrar do momento da pancada.


Graças as nossas endorfinas.


Mas hoje, a ciência de tal forma se tornou elástica que matou muitos mitos, o mito da velhice.


Acreditava-se que uma pessoa de 40 anos era praticamente inválida.


Em nosso país ela não é inválida, mas está quase inválida.


Vemos uma pessoa de 40 anos e dizemos: 


“Meu Deus, já tem 40 anos!”

E nós os que temos alguns meses mais de 40 anos, vingamo-nos dizendo: 


“Eu já cheguei até aqui, agora você eu não sei.” (É uma praga)


Estamos desejando que a pessoa morra de acidente ou de uma outra coisa qualquer.


É a vingança do adulto que tem inveja do jovem. Somente envelhece quem quer.


E somente é velho, quem velho se considera.


A nossa atividade mental mantém a nossa juventude.


É quando dizemos: 


“Eu já não tenho mais a mesma facilidade para memorizar. Estou perdendo a memória”.


Pois procure-a, ela está lá no arquivo, é somente buscá-la, não espere que ela chame por você.


As pessoas mentalmente ativas, mantém a memória muito lúcida.


Eu a tenho hoje, melhor do que quando contava 20 anos.


Simplesmente, porque me recusei a ser velho, aceitei a beleza do envelhecimento.


Porque cada idade tem seu contributo, tem a sua maravilha, tem as suas conquistas.


E não pode haver nada mais fascinante, do que cada momento do vir a ser.


A verdadeira psicologia não é apenas aquela do que fomos, do que fizemos, do onde estávamos.


Mas é essa proposta das nossas possibilidades inatas, desse imenso oceano a descobrir, a conquistar, dessas terras do sem fim, por onde nós iremos caminhar.


Na medida em que nós nos esforçarmos, a memória atende exceto, diante das psicopatologias ou de outros processos degenerativos que fazem parte da nossa máquina.


Este é o século das pessoas macróbias.


Eu me recordo, por exemplo, de Charles De Gaulle e Golda Meyer, e de quantos homens e mulheres notáveis, que ao ultrapassar os 80 anos, risonhos e joviais.


Aí está Chico Xavier, com aproximadamente 88 anos, e sempre dizendo: 


“A máquina está gasta, mas eu estou muito bem comandando a máquina.”


E vemos no entanto, máquinas jovens, novas, tão mal direcionadas e tão gastas.


Porque os comandos perderam a linha do equilíbrio.


Uma das condições para a saúde mental, é o exercício dos neuropeptídios, da máquina de natureza psíquica.


Não dar trégua a máquina cuja a função é atender as exigências do Eu superior, também chamado Self, também chamado espírito, também com outras designações conforme a corrente filosófica, cultural ou religiosa que cada um professe.


Mas se estabeleceu que esse ser profundo, esse ser transpessoal que independe do cérebro, é o comandante da máquina. 


E ela atende-o, conforme o direcionamento que ele dê, tendo-lhe as rédeas na mão. 


Afirmávamos que somente é velho quem quer.


Conheço pessoas, que a partir dos 40 anos, aos 45, principalmente quando se aposentam, que assinam o próprio atestado de decadência.


A palavra aposentado passou a ser o carimbo da senectude.


“Ele é aposentado, é inútil, é a cadeira velha que rasgou a palhinha e se coloca no canto e não deixa ninguém sentar, porque está furada.”


Aí sim é uma coisa velha.


Mas a pessoa aposenta-se para começar a trabalhar.


Na Índia nós vamos encontrar no Bhagavad Gita, e particularmente no Vedanta uma proposta comportamental.


O indivíduo até os 18 anos, “pertence” aos seus pais;


dos 18 aos 50, “pertence” a família, 


a partir dos 50, “pertence” a si mesmo, para entregar-se a vida espiritual, ele é totalmente livre.


É o momento da sua maturidade, das suas experiências.


Mas, nós somos escravos de convenções, de imposições injustificáveis, de tabus e de superstições.


Em nosso país, uma pessoa aposentada, assinalada por esse timbre de decadência orgânica e mental, é um indivíduo que se nega a viver.


E não pode haver um espetáculo mais hediondo, do que as pessoas com mais de 40 anos, principalmente os homens, de boné, numa praça pública, jogando dama ou gamão e falando dos seus maravilhosos, detestáveis tempos do passado.


Porque nada é mais detestável do que o “meu tempo”.


“Ah! Antigamente.”


Era horrível.


Nada pior do que as viagens de antigamente.


A pessoa de guarda pó branco para entupir-se de areia e de pó de todas as cores.


Nada mais maravilhoso hoje, do que uma pista de asfalto ou o suave deslizar de um avião.


Sou pioneiro na aviação.


Viajei nos primeiros que chegaram ao Brasil na década de 40.


E posso avaliar hoje, um boeing atravessando o oceano e indo pousar suavemente, em outro continente, na Europa ou na Ásia.


A pessoa sair tão confortavelmente quanto entrou, sem dar-se conta da viagem que fez.


Então nós devemos negar-nos, para uma boa saúde psicológica, a esse timbre de ser aposentado.


Apresentaria uma sugestão às esposas:


"Ponham para fora de casa os maridos aposentados".


Não pode haver nada pior do que um homem aposentado dentro de casa.


A mulher liga a luz, ele apaga.


Ela abre o bico de gás, ele apaga, para fazer economia.


Não admitam, ponham-no para trabalhar no Lar Fabiano de Cristo, que aceita esses mamutes para reatualizá-los.


E também a mulher, no período mais belo da sua vida, quando ela desabrocha.


Não pode haver nada mais belo e pleno do que a mulher de 40 anos, 50 e 70 também.


Que é a plenitude.


A mulher de Balzac já está totalmente ultrapassada(30 anos seria Balzaquiana).


Saúde é um estado de espírito e o espírito jovial é sempre saudável.


Karl Gustav Jung dividiu a humanidade em dois biótipos: o introvertido, que é sempre um candidato a doenças e o extrovertido, que é um indivíduo saudável, é aquele que facilmente faz a catarse, que exterioriza conflitos, que se libera de todo esse tormento.


William James também dividiu as criaturas em dois grupos: os indivíduos fortes e os indivíduos fracos.


Os indivíduos fortes são aqueles que se aceitam como são e se ama exatamente porque assim o é!


O indivíduo fraco é aquele mesquinho, calceta, reclamador, descontente, sempre ambiciona aquilo que jamais terá.


Tem por meta algo que nunca conseguirá, porque ele é atormentado psicologicamente. 


Será possível manter saúde desde que saibamos manter o estado de espírito.


O Dr. Berg Single, cirurgião oncologista, paladino da saúde integral.


Eu, por exemplo, poderei aqui estar, absolutamente saudável, com um câncer em grande desenvolvimento.


Tecnicamente, eu estaria doente, mas como esse câncer ainda não atingiu os feixes de nervos sensíveis e o meu cérebro não detectou a dor, eu estou com saúde.


Então, saúde é esse bem estar, que nós poderemos e deveremos manter quando a doença nos chama a atenção para a problemática da agressão ao organismo físico, aos sentimentos ou aos distúrbios mais profundos da psique.


Ele narra do seu consultório, uma bela experiência:


"No mês de janeiro de 1981, chegou um paciente com 78 anos, John Florio.


Homem jovial, corado e de muito bom aspecto.


Ele disse que oportunamente sentia um mal estar estomacal.


Na época foi detectado uma úlcera.


Naquele tempo ele era de temperamento violento, estava de mal com a vida.


Resolveu dedicar-se a jardinagem.


E notou que o mundo é muito bonito e pode ser ainda mais belo, se nós o auxiliarmos. 


Se ao invés de deixarmos espinhos pelo caminho, plantarmos flores, árvores que deem flores e que sejam frutíferas.


E agora ele estava com câncer e ali estava exatamente para que o médico pudesse fazer uma avaliação.


Ele levara todos os exames e quando o médico viu a extensão do câncer, sugeriu-lhe uma cirurgia imediata.


Operando teria uma sobrevida de seis a dez meses.


Não operando teria uma sobre vida de dois a quatro meses, caso não ocorra uma parada cardíaca.


Ele então diz:

“— Como eu me amo, vou dizer para o câncer, que me respeite. 


Vou dizer para o estômago, que por favor se imponha, que não admita que um sujeito estranho lhe invada a residência, crie uma situação desagradável e se expanda. 


Assim que passe a primavera, eu voltarei doutor.”


E o médico disse:


 “— Não posso forçar.”

Esqueceu-se do cliente".


Oportunamente ele chegou ao seu consultório e ao examinar as fichas da clientela para atender no dia, lá estava John Florio.


Ele verificou que se haviam passado 6 meses.


Chamou a enfermeira e lhe disse:


“— Você se enganou, este homem já morreu.”


 “— Então ressuscitou, porque ele está aí na sala.”


 “— Mas não pode, ele deve estar alquebrado.”


 “— Não parece.”


“— Então mande-o entrar.”



E John Florio entrou sorridente e disse:



“— Olá doutor, vim operar-me agora.”


Fez uma bateria de exames e o câncer não havia crescido, nem tinha metástase.


Ele foi operado e retirou ¾ partes do estômago.


Recomendou quimioterapia como medida preventiva.


Mais tarde, 6 anos, chegava ao consultório e lá estava a ficha dele.


Pensou:


“Ele não pode estar com 84 anos, após uma cirurgia tão delicada.”


Ele entrou sorridente, corado:


“— Olá doutor.”


“— Veio fazer alguma revisão?”


 “— Não. 


Eu esqueci de fazer uma pergunta. 


E tenho urgência em fazer doutor. 


Gostaria de saber o que eu posso comer doutor?”


“— O senhor coma aço inoxidável com qualquer substância corrosiva, porque no senhor não faz mal. 


Agora sente-se e me explique o que o senhor fez da sua vida.”



 “— Eu tinha dito ao senhor que o estômago tinha que reclamar com o câncer e diariamente eu dizia para o estômago: você se alimentou o suficiente, agora vai se alimentar o necessário. 


Porque eu preciso viver, colocar beleza no mundo, ter alegria e estou planejando com a minha família a celebração do meu centésimo aniversário.”



Diante da doença podemos tomar uma das 3 seguintes atitudes:


revolta (por que eu?);


passividade (eu) ou


naturalidade (também eu).



Afinal, todos nós estamos na alça de mira dos fenômenos patológicos, biológicos, psicopatológicos.


Por que eu?


Porque sou uma criatura humana e acontece com todos.


A única exceção que existiu na Terra, é Jesus Cristo.


Ele jamais enfermou, porque era um excelente psicoterapeuta, que fazia a auto cura e aos outros curava.


Todos passamos por essas experiências que são eminentemente psicobiológicas, da maquinaria fisiológica.


Então, nós deveríamos perguntar diante dessa intercorrencia da notícia cruel:


 “— Por que eu?”


Porque também estou vivo e é maravilhoso estar vivo.


Conta Berg Single, que uma paciente que estava com um processo degenerativo irrecuperável.


Era enfermeira em um hospital, a doença apresentou-se lentamente, foi se instalando e ela recebeu o diagnóstico de esclerose múltipla irreversível.


Ela perguntou ao médico:


“— Quanto tempo?”


Ele lhe respondeu:


 “— 6 meses. 


A senhora deseja ser útil à humanidade? 


Assine, oferecendo seu corpo para investigações médicas.”


Ele foi muito sutil e otimista.


Ela recusou-se a dar o corpo a alguém que lhe acabava de tirar a razão de viver.


Foi para casa e no dia seguinte o hospital despediu-a e no dia imediato, enquanto ela estava tratamento médico, a sua residência foi invadida e roubaram-lhe tudo o que de melhor ela tinha.


Quando ela chegou de cadeira de rodas e a enfermeira deixou-a diante do espelho, ela olhou aquele corpo e odiou.


Odiou com todas as veras do sentimento e descobriu que sempre havia odiado o corpo.


Sempre se havia detestado, como sendo uma mulher que não tinha o direito de ser feliz e muito menos de viver em harmonia.


A enfermidade foi se desenvolvendo, crescendo, imobilizando-a.


Em certo dia, enquanto estava sendo preparada para o banho, ela se olhou no espelho.


A perna direita, absolutamente fragilizada, era reminiscência de uma paralisia infantil.


A outra que era normal, parecia deformada junto daquela frágil.


O corpo, desprezível, caído, informe.


Ela então desejou morrer.


Ela contava 24 anos, era tão jovem e morrer era um alívio.


Ninguém nunca a tinha dito:


“Eu amo você.”


Ela lembrou-se que havia lido oportunamente a referência de um grande cientista de Harvard, Dr. Marck Lider, havia dito que estava medindo a curvatura do amor e a interferência do amor nos linfócitos e no sistema imunológico.


Poderá o amor, um sentimento, mudar o desenvolvimento dos linfócitos e trabalhar no sistema imunológico?


Ele partia de uma premissa.


Ele tivera oportunidade de assistir uma conferência de um desvairado, um psicólogo tresloucado.


Ele dizia que a interação mente-corpo, espírito-matéria era possível.


E que através da mente o indivíduo pode retificar o metabolismo orgânico, o equilíbrio fisiológico.


E claro, o grupo de cientistas sorriu complacente e misericordioso daquela estupidez.


Ele foi convidado a desenvolver um seminário em Harvard.


E demonstrou que era mesmo um psicopata.


Ao invés de se ater ao seminário, ele tomou de um livro e começou a ler a história dos amantes de Lady Chatterley.


Começou a ler, particularmente naquele ângulo erótico, em que são descritas as cenas mais agressivas de uma sensualidade vil.

Subitamente parou, olhou o auditório e disse:


“— Creio que 90% dos senhores e senhoras, estão com reações fisiológicas no aparelho genésico. Não é verdade?”

Houve um leve murmúrio na platéia.

“— É verdade, porque eu também estou sensibilizado e eu penso que os senhores também são pessoas normais.”

Todos disseram:

“— É claro, o senhor encenou, nós vimos a cena, nós a vivemos.

” Ele disse:

“— Os senhores acreditam que a sua mente pode ativar o aparelho genésico?”

Responderam:

“— É óbvio.”

Ele disse:

“— E por que não pode ativar o sistema imunológico? É uma questão de aparelhagem.


Se direcionarmos para uma área temos uma resposta. 


Se direcionarmos para outra, temos outra resposta. 


E eu faço parte da corrente neurofisiológica, que não separa em três sistemas o nosso organismo: sistema nervoso central, endócrino e sistema imunológico.


Eu proponho que seja erguida uma nova ciência, Psiconeuroimunologia.


Através do psiquismo haverá uma reação neurológica, e claro, de efeitos imunológicos.”


Ela havia lido isso.


 Então, começou a pensar que durante a vida inteira esteve matando-se e agora estava morrendo.


Não foi a doença que se instalou no organismo, foi ela quem instalou no seu organismo a doença.


Era um mecanismo do inconsciente para tirá-la daquela situação detestável, daquele corpo que lhe era tão desagradável.


A ciência hoje é mais ousada, chama de psiconeuroendócrinoimunologia.


A mente atuando no nosso sistema psíquico, endócrino, naturalmente, vai atender ao aparelho imunológico.


E nós poderemos, por intermédio dos peptídeos, neuro-peptídeos e das enzimas, restabelecer o equilíbrio.


Mas não se trata apenas de uma proposta para que se creia, é uma realidade demonstrada em laboratório.


Entre os grandes ases da Física Quântica e Nuclear, que adotam como uma realidade, destacam-se: David Ball um dos pais da Física e Stil Wolf.


Eles estabeleceram que o medo, o pessimismo e o azedume, produz reações em nosso campo de elétrons.


O amor, a afetividade, a esperança, a alegria, tem a ver com nossas moléculas fóton.


São essas que preservam a vida, enquanto aquelas desgastam as energias da vida.


Aquela jovem, Eve, acordou naquele momento, e já que precisava viver, era necessário mudar sua atitude mental.


Como fazer?


Amar esse corpo horrível?


Ela havia sonhado sempre em ser esbelta, em ter medidas exatas, que nunca ia conseguir por causa da perna, que foi vitimada pela paralisia infantil.


Mas agora, que ela estava pela primeira vez meditando, sem nenhum curso, nenhuma técnica, simplesmente, estava reflexionando em torno de si.


Será que nós aqui, já reflexionamos em torno do Si que somos?


Será que já paramos para fazer uma análise do Si profundo ou sempre estamos esbravejando, pedindo, agradecendo, tudo rápido?


Pela primeira vez ela estava fazendo essa análise:


“Se eu quero viver, eu deverei mudar o meu padrão de correntes alternativas da minha consciência. 


As minhas vibrações eletroquímicas do meu cérebro, as minhas sinapses cerebrais deverão ser harmônicas! 


Se eu fizer um eletroencefalograma, terei um biorritmo dos mais desastrosos.”



Ela então relaxou, havia tomado banho quente e sem dar-se conta entrou em alfa.


Foi suavizando e notou que tinha olhos muito bonitos.


Pediu papel a enfermeira e anotou que tinha olhos muito bonitos.


Porque muita gente tem pernas lindas e são vesgas.


Ela tinha olhos lindos e as pernas frágeis.


Os cabelos eram lindos, naturalmente encaracolados.


Ela então, notou que seu rosto era muito bem desenhado.


Tinha um queixo muito bem trabalhado.


Nariz delicado.


Ela nunca tinha visto, porque sempre olhava o que não deveria olhar, o lado que lhe perturbava.


E claro, quem costuma olhar para o pântano não vê o céu transparente.


É necessário que em nosso cárcere, possamos tomar uma das duas seguintes atitudes: 


uma pessoa está no cárcere ao lado de outra.


Um, é um homem feliz, o outro um desgraçado.


Eles têm o contato com o mundo, um quadrângulo gradeado.


Diariamente, cada um chega e olha por aquele quadrângulo.


Por que são tão diferentes?


O primeiro olha sempre para cima e vê o sol e o céu.


O outro olha sempre para baixo, olha a lama e a podridão.


O lugar é o mesmo, o direcionamento e a aspiração de cada um é que é diferente.


Ela começou a notar o que havia de bonito nela.


Pediu a enfermeira para que estabelecesse uma dieta e já que seu corpo estava totalmente modificando-se, pediu um corpete para poder sustentar-se e diariamente enxergava naquele espelho não a perna, mas os olhos, o cabelo, e começou a dizer a sua enfermidade:


“Olha está na hora de parar, porque eu vou viver.”


Seis meses depois a enfermidade estava absolutamente estacionada.


Seis anos depois a enfermidade havia regredido.


Ela continuava com dificuldade de movimentos, mas estava noiva.


O jovem enfermeiro que foi trabalhar com ela, ficou tão encantado com a irradiação que dela saía, que se apaixonou.


Ela então lhe disse:


“Não nos casemos por enquanto. 


Você está ainda encantado. 


Casemo-nos dentro de cinco anos, se eu viver e se você viver. 


Porque você terá tempo de se desencantar e terá tempo de me amar.”



Quando o livro foi escrito eles deveriam casar-se.


O primeiro passo para aquisição da saúde: 


Ame-se como você é.


Aceite-se como você é.


Não aspire a ser o que você não vai conseguir.


A beleza externa é tão suscetível de variação.


A infância leva à juventude, a maturidade leva à senectude, quando não advém a morte antes, e há o momento da desencarnação.


Mas quando a pessoa é interiormente bela, todos os períodos são enriquecedores e quando a pessoa não é interiormente plena, todos os períodos são conflitantes.


Daí a primeira regra para viver com saúde é o autoamor.


Ame-se, porque quem não se ama a ninguém ama. Trabalhe interiormente para ser saudável.


E quando você adquirir essa postura, de uma pessoa saudável, lembre-se de que você é algo mais que um corpo.


As células estão imantadas umas as outras, graças ao equilíbrio psicofísico, na estrutura molecular da Física Quântica através de íons, uma micro partícula.


Micro partícula essa, inerente ao psicossoma, ao perispírito, ao corpo astral, como se queira.


É este campo modelador que estrutura as células, graças ao agente, que é o espírito.


O espírito que pensa, esse campo vibratório que modela, a matéria que se corporifica.


Do campo da mente, vem a realidade para o mundo da forma.


Do mundo da forma vão as mensagens para o campo da mente.


Não ignoramos que há em volta da Terra um campo magnético, nós não sentimos nada.


Mas uma bússola, de imediato detecta o norte magnético do planeta.


Nós temos um campo de energia específica, chamado aura.


É a irradiação da realidade que somos.


Da realidade pensante, que é o mundo causal.


Da realidade verbal, aquilo que exteriorizamos, da realidade atuante, aquilo que fazemos.


Essa irradiação tem o degradê de tonalidades que correspondem a mente, ao verbo e a ação.


Ao pensamento, desejo e o mundo da forma.


É natural que de acordo com aquilo que nós cultivamos, exteriorizamos respostas equivalentes.


Se começarmos o trabalho de auto amor, vamos estimular os linfócitos, o aparelho imunológico.


E digo isso, sem presunção, com autoridade, porque eu me recusei a morrer.


Tive um infarto do miocárdio, há 15 anos, logo depois uma parada cardíaca, vi-me morto, olhei o corpo, os meus filhos chorando.



O meu filho médico disse:



“Tio Divaldo acaba de morrer.”


Eu digo assim: 


Ele está enganado.


Não morri, saí do corpo, que maravilhoso.


Meu guia espiritual me havia dito faz anos:


 “Quando te acontecer algo e despertares aturdido e eu me apresentar, já desencarnastes.”


Então disse: Só falta agora me aparecer Joanna De Ângelis.


Olhei em volta, desejando que ela não aparecesse e ela não apareceu.


 Apareceu minha mãe que já era desencarnada.


Ela disse: 


“Meu filho, os Espíritos Nobres, aqueles que conduzem a tua existência na Terra, estão discutindo se tu vais ficar ou se tu voltarás.”


Eu disse: 


"O que a senhora está fazendo aqui? vá para lá depressa!


Vai interferir, vá dar uma de advogado".


Não é que eu tenha medo da morte, é que eu quero viver mais um pouquinho.


Ela desapareceu e dali a pouco retornou sorrindo e me chamou como de hábito: 


“Di meu filho, eles resolveram que tu vais ficar na Terra.”


Então, senti uma dor terrível no peito, era o infarto.


Mas, eu abri o olho e disse: 


Meu Deus, estou vivo.


Porque naqueles minutos antes, eu tive uma conversa com Deus, de filho para Pai, nada de padrasto para com enteado.


Eu disse: 


Se eu ficar, o Senhor vai continuar me governando.


Se eu voltar, o Senhor vai ficar me governando, qual é a diferença?


Para o Senhor nenhuma, mas para mim é muito importante que eu volte.


Eu só Lhe peço 10 anos.


Eu voltei meus amigos e aqui estou.


Usei vasodilatadores que facilitavam o coração e arrebentavam a cabeça de dores.


 Até que um dia eu disse: 


como eu pedi 10 anos, não vou me gastar com tanto remédio.


Comecei a trabalhar, comecei a me dizer: 


vamos corrigir esse coração.


 Estava com 95% de uma artéria bloqueada, 70% de outra e 35% de outra.


Porque comigo é assim, tudo ou nada, foi logo uma coleção de bloqueios.


Então, eu comecei a trabalhar e a desbloqueá-las.


Um espírito muito amigo, que dialoga comigo desde quando eu era muito jovem, aliás não faz muito tempo, ele me disse:



“— Divaldo, tu és tão mesquinho, avaro, insignificante.  


Eu disse: 


— Muito obrigado, são palavras estimuladoras, mas por que? 


Ele respondeu: 


“— Tu pediste a Deus 10 anos, já se passaram 8, só te faltam 2. 


Por que não pediste 50?


” Eu já estava com cinqüenta e tal, com mais 50 era abusar. 


Ele disse: 


“— Mas Divaldo a Deus nunca se pede pouco. 


Pede-se muito, porque se Ele estiver de mal humor ele corta a metade.” 



Então, ele me contou uma anedota de espírito.



Um espírito chegou-se até Deus e perguntou:


“— Senhor, eu não tenho ideia da eternidade, ajude-me. 


Para que eu conceba a eternidade, 1 trilhão de anos, que tempo representa na eternidade para vós?” 


Deus respondeu: 



— Um segundo.”


Ele perguntou: 


“— E 1 trilhão de dólares?” 


Deus disse: 


— Para mim, 1 trilhão de dólares representam 1 centavo.” 


A alma disse: 


“— Senhor, então dá-me 1 centavo.”


E Deus respondeu: 


“— Espera 1 segundo.” 


“Tu deverias pedir a Deus, Divaldo, 50 anos.”



E eu que tenho a cabeça rápida disse: 


Eu pedi 10 anos, foi o que saiu.


Mas eu pensei viver até o ano 2010, foi o que eu quis dizer.


E como já se passaram 15, Ele leu o meu pensamento naturalmente.


Eu já estou pensando o que vou dizer em 2008.


Há 1 ano e 8 meses, na série de checkup que faço a cada semestre, eu estava radicalmente curado e o meu cardiologista, que é um filho adotivo, disse:


“Tio, o que você fez?”


Eu disse: me recusei a ser cardíaco, eu acho tão enjoado ficar respirando com dificuldade.


Imagina fazer palestra e “um momentinho que eu vou respirar”.


Não, eu me recusei, eu amo uma doutrina de otimismo, de vida, o que não quer dizer que eu vá morrer.


O autoamor, eu descobri que não me amava.


Eu pregava o amor aos outros.


Eu ainda não havia feito uma avaliação, porque eu vinha de uma doutrina muito castradora, de uma convicção religiosa muito pessimista, negar o mundo para afirmar Deus, negar-se para entregar-se a Deus.


Não, não está no Evangelho.


Negar o mundo, é não ser mundano, pervertido.


É afirmar o mundo sendo cidadão.


Optar por Deus, é ter Deus dentro, não se pode amar o Deus de fora se não ama o deus que está em nós.


É necessário que eu primeiro ame o deus que sou, para poder identificar o Deus no qual estou.


Jesus disse-nos isso:


“Se vós não amais ao que vedes, como amareis aquilo que não vedes.”


A moderna proposta das terapias alternativas na área da psicologia transpessoal e na área das doutrinas da autocura e da cura aos demais, começa no auto amor.


Um amigo disse:


 “Será que você não está divulgando o orgulho, o egoísmo?


Autoamar-se não é ter egoísmo?”


eu disse: Não.


 Eu conheço pessoas que se detestam e são ególatras, amam ao ego, não a si.


O ego é a máscara.


Egoísta é aquele que açambarca para si.


Autoestima e auto amor é aquele que trabalha para ser melhor.


Para expender luz, é o que põe combustível na chama, para que ela adquira tonalidades miríficas e possa brilhar.


Essa é a diferença sutil.


Quando eu descobri que não me amava, isto é, muitas vezes me impunha sacrifícios absolutamente desnecessários.


Era uma reminiscência masoquista.


Deus não é de sofredores, ele ama os sofredores também, mas é dos triunfadores, sofredores que chegarão lá.


Não é esse Deus dos infelizes, que Castro Alves canta tão bem no Degredo da África, quando ele fala do Deus dos escravos, dos infelizes, do navio negreiro.


Mas é o Deus que deseja a nossa plenitude, não é o Deus que quer que nós soframos.


O sofrimento é opção nossa.


Ele é o enfoque errado que nós adquirimos, porque optamos por uma atitude menos feliz.


A visão de Deus não é punitiva, é educativa, é reparadora.


Se eu causar um prejuízo a essa casa de espetáculos, importa aos seus proprietários que o prejuízo seja resgatado, não é importante para eles quem faça o resgate.


Agora, para mim é importante que eu não fique a dever quem pague o resgate por mim.


Se um amigo resgatar por mim, eu não poderei dizer que estou livre, porque meu débito mudou só de mão.


Mas, na hora que eu faça algo a alguém que corresponda em equivalência àquele valor, eu estou quite com a lei universal.


Por isso que o perdão é bom para quem perdoa, não para quem é perdoado.
E se a pessoa também não perdoa, problema dela.


Porque o outro se autoperdoa.


O segundo passo é esse: perdoe-se, dê-se o direito de ser gente, e quem é gente se equivoca.



Tire da cabeça essa ideia de pecado, essa ideia castradora do mal.


O mal real do ponto de vista filosófico não existe.


O mal é apenas a ausência do bem.


É a sensação desagradável que foi resultado de uma escolha infeliz, uma escolha negativa.


Agora vamos partir para a segunda etapa, que é o auto perdão.


Muitos dizem:


“Eu perdoo com muita facilidade, mas não esqueço.”


Não esqueça mesmo, é psicológico.


Porque esquecer é da memória, perdoar é do sentimento, e nem sempre a memória apaga quando nós queremos.


Perdoar é não desejar o mesmo mal que nos foi feito.


É dar o direito de ser uma pessoa menos feliz e não revidar.


Não é amar tresvairadamente.


Nós vamos começar a nos perdoar, mas perdoar mesmo.


Uma senhora me disse que cometeu 16 abortos, e esperou que eu tivesse uma reação.


 Eu disse assim: 


— Pois não.


— “O senhor não se espanta?”


— Não senhora.


— “Mas por que não?”


— Porque a senhora teve o direito de praticar os 16 abortos.


— “Mas não é um crime?”


— Já é outra coisa, estamos agora no julgamento.


A senhora me contou o crime.


Vamos deixar o julgamento para a sua consciência e a Divindade.


Tem a sua justificativa, mas a senhora não tem o direito agora de destruir a vida porque cometeu 16 abortos.


A senhora está viva, não deveria ter feito, mas fez.


Vamos agora tentar reparar os danos que causou.


— “Mas como? Eu não poderei ter 16 filhos na idade em que estou.”



— A senhora comece procurando algumas crianças que necessitam estudar e que tem dificuldade, ajude-as.


Ajude familiares menos abastecidos economicamente.


Ajude-se primeiro a si.


Faça uma análise do porque. Já que a senhora sabe que o sexo leva a conseqüências dessa natureza.


Refaça seus conceitos e comece tudo outra vez.


 — “Mas seu Divaldo, todo mundo me condena.”


 — Mas não é importante que os outros lhe condene, nós nos condenamos reciprocamente por mecanismos de transferência.


Faz-nos bem condenar os outros. Preocupe-se com o seu estado de consciência.


O que a senhora sente?


— “Me sinto abjeta.”


— Pois agora comece a sentir-se gente.


Viva plenamente, ame.


Até agora a senhora não amou, a senhora experienciou manifestações sexuais, e elas deixaram queimaduras morais, tente amar.


— “Senhor Divaldo, estou com câncer uterino. Foram os 16 abortos?”


— Eu conheço muita gente que tem câncer uterino e nunca teve relacionamento sexual.


Por que temos que fazer logo a culpa e a punição?


Não, é uma incidência natural, porque a senhora tem útero, se não tivesse útero, teria câncer de outra coisa.


— “Mas o que fazer?”


— Siga a orientação do médico e diga ao seu útero cansado: desculpe-me meu amigo, vamos recomeçar tudo.


Não é questão de arrepender-se e ficar atormentada, sair de um conflito, para outro conflito.


Liberte-se do conflito.


A senhora reconhece que não deveria ter feito, ok.


Comece a fazer coisas que a senhora acha que deve e que pode fazer.


Ela fez uma histerectomia, libertou-se do útero, dos órgãos anexos, continua uma mulher plena, não morreu.


Mudou de atitude.


Ninguém agora leve para o outro lado que eu sou favorável ao aborto, não se trata disso.


O aborto é um crime hediondo.


Eu não sou juiz daqueles que abortam.


E a finalidade é psicoterapeutica e não condenatória.


A pessoa tem o direito de fazer da sua vida o que lhe apraz, e sofrer as conseqüências daquilo que elegeu.


A nossa função é terapêutica, ajudar a pessoa a sair do conflito, a sair do problema.


Então, eu comecei a trabalhá-la no autoperdão.


Ela me diz: “Eu tenho dificuldade.”


Porque não amou a nenhum desses homens, no dia em que você amar a um homem e fizer a curva da ternura, vai ver como é possível perdoar-se.


Ela já está com 50 anos.


Não encontrou especificamente um amor, mas ela resolveu amar e foi muito melhor.


Agora ela ama a muitas pessoas, está muito tranqüila.


E um amigo que é comum e que lhe conhece o conflito, disse:


“Mas Divaldo, não sei como você suporta Dona Fulana, ela é tão obsidiada.”


 E eu perguntei: Como você sabe?


Ele respondeu:


Ela é abortista.”


E como você sabe que ela tem obsessores?


“Aqueles que ela matou a estão obsidiando.”


Eu disse: 


Curioso, eu nunca vi.


Porque o Deus a quem eu amo, não é aquele que pune com obsessores, é o que abre a porta para quem deseja redenção.


E confesso que nunca me detive a ver se ela tinha obsessores ou anjos de luz.


Por que não é importante, o importante é ela ser feliz.


Então, o segundo passo é o perdoe-se. 


Se nós no auto amamos, poderemos amar.


Se nós nos autoperdoamos, poderemos perdoar.


Nessa condição, já estamos fazendo a auto cura, porque encontraremos a alegria de viver, motivação para viver e teremos o significado em nossas vidas, que antes eram vazias.


Esse é o período das pessoas vazias.


Pessoas sem significado existencial.


São pessoas queixosas, estão só na superfície, ainda não entraram, não quiseram ter o desafio de auto penetrar-se.


Na hora que eu começar a entender que tenho o direito de errar, eu darei esse direito aos meus irmãos que erram.


Porque se eu erro, porque eles não?


Dou-lhes o direito e a vida se me fará muito mais saudável.


O Doutor Norman, teve oportunidade de fazer uma análise, na Universidade da Califórnia e depois de um estudo cuidadoso, ele observou que os pacientes terminais que riem, recobram a vida e os que introjetam conflito, morrem mais rapidamente.


Ao lado de uma médica da mesma Universidade, o Doutor Norman constatou que o riso jovial, natural e descontraído, proporciona saúde ao organismo. E passaram eles a experiências científicas.


Tomaram pacientes portadores de AIDS, câncer e outras doenças degenerativas e colocaram em uma sala, projetando filmes de Charles Chaplin, dos irmãos Marx, dos Três Patetas e outros.


No começo os pacientes estavam inimigos da vida, mas os filmes, principalmente, dos irmãos patetas, eram tão estúpidos que provocavam risos.


E na medida que se foram entregando, terminaram pela opção do riso.


Terminada a experiência tiveram medida a saliva, e então, se constatou que naqueles pacientes que haviam sorrido bastante, havia uma alta dosagem de imunoglobulina.


Uma enzima que imuniza o indivíduo a determinadas infecções.


Pegaram os jovens estudantes UCLA e colocaram numa sala e projetaram filmes de sexo explícito, de guerra do Vietnã, o célebre Apocalipse Now. 


Quando terminaram, mediram a saliva e eles estavam com grande deficiência de imunoglobulina.


Alguns já saíram da sala resfriados.


Portanto, suscetíveis a diversas infecções respiratórias.


As experiências foram tão notáveis, que a viúva McDonald, ofereceu 2 milhões de dólares para que as experiências tivessem prosseguimento.


E o Dr. Norman e a Dra. Bárbara Millan demonstraram para outros cientistas que adotaram o método, que sorrir faz bem.


O Dr. Berg Single aceitou em sua casa uma paciente.


E depois de três meses, ela despedindo-se, curada do câncer, disse-lhe:


“Notei uma peculiaridade na sua família e tenho interesse em relatar. 


Notei que é uma família americana normal, que todo mundo briga. 


Só que depois da briga, continuam falando-se naturalmente. 


Lá em casa não, quando nós brigamos, nós mantemos essa situação, as vezes, por semanas. 


Ficamos de mal, aqui não".


E ele anotou:


“Aceitei como um elogio. 


Outra pessoa poderia aceitar como falta de vergonha da família. 


Eu aceitei como uma referência otimista, porque guardar ressentimento é intoxicar-se. 


A pessoa que carrega mágoas, carrega lixo atômico no seu mundo interior. 


É claro que vai haver uma explosão, a questão é de quando haverá essa explosão?” 


No autoamor, no autoperdão, surge agora a auto libertação. 


Libertemo-nos da opinião dos outros. 


Respeitemo-las, mas não nos escravizemos.


Mantenhamos o nosso dever social de relacionamento, mas a opinião das pessoas tem o valor que nós lhes emprestamos. 


Na hora em que eu achar que a opinião de uma pessoa não tem sentido, ela perde totalmente o sentido. 


Na hora que eu achar que ela é muito importante para a minha vida, ela se torna um algoz da minha existência. 


Por que então vou guardar ressentimento porque alguém falou mal de mim? 


Mas é uma maravilha. 


As pessoas que vivem do público, adoram serem mal faladas. 


Quanto mais mal faladas, mais vendem. 


Nós temos a tendência de gostar do grotesco. 


Aí está a mídia, apresentando o grotesco. 


Atingindo altos índices. 


Por que? 


Porque nós projetamos a nossa imagem no grotesco. 


É a transferência psicológica. 


Vemos fazer o que nós gostaríamos de fazer e não nos atrevemos. 


O nosso grande esforço é para não fazermos o que é grotesco. 


Estamos saindo da fase primária do processo da evolução, galgando patamares mais elevados, mais nobres. 


Patamares superiores e mais enriquecedores. 


Então, a terapia do riso é muito boa e ademais, um técnico de beleza disse, que a pessoa que ri não envelhece, por causa da imunoglobulina. 


Não faz pé de galinha, é a melhor massagem, porque o músculo risório foi feito para mover-se e quando nós o contraímos, nós matamos a vitalidade de algumas células que deixam sulcos. 


A grande proposta do curar-se, é remontar as causas para diluir os efeitos. 


Não adianta manter causas e trabalhar nos efeitos, porque eles irão sucedendo-se na razão direta da sua própria causalidade. 


Somente a partir da autocura é que nós podemos pensar em curar os outros. 


No Evangelho Segundo o Espiritismo, sem nenhuma tendência doutrinária, nem nenhum objetivo doutrinal, há uma frase admirável dentre outras, em que é feita essa proposta: 


Médico, cura-te a ti mesmo. 


Nós sempre falamos do contágio da doença, porque não falamos do contágio da saúde. 


Já notaram o quanto é saudável conviver com pessoas saudáveis. 


O quanto é agradável conviver com pessoas otimistas. 


O quanto faz bem estarmos ao lado de pessoas que são comunicativas. 


As vezes dizemos: 


Eu gosto tanto de Fulano, não sei por que? 


Porque nos dá uma mensagem de encantamento. 


Não é necessário que a mensagem esteja rotulada, direcionada. 


A violeta escondida exala perfume no ar e todos a sentem, mesmo sem a ver. 


Como diz Joanna de Ângelis, tudo começa no pensamento. 


Toda vez que vir o pensamento negativo, já que você não pode viver sem pensar, mude para um pensamento positivo. 


Já que é pensar, pensa coisa boa. 


Eu fiz um seminário para 1900 pessoas num imenso salão e fiz uma visualização terapêutica. 


Ao terminar, fiz uma avaliação. 


A proposta era recordar de um momento feliz de sua vida. 


E na avaliação, perguntei se alguém por acaso, não conseguiu recordar-se de um momento feliz. 


Levantou-se uma senhora da minha idade e disse que não conseguiu. 


Eu olhei para ela e com olho clínico calculei que era minha contemporânea. 


E perguntei: 


— Por que não? 


— “Porque nunca tive um momento feliz na minha vida.” 


— A senhora é uma dama muito bonita, deve ter sido uma jovem bem atraente. 


A senhora namorou? 


— “Oh!!!” 


— Então a senhora teve muitos momentos felizes.


— “O senhor precisava ver as buchas que eu namorei.” 


— Mas a senhora casou? 


— “Ah! Sim, eu me casei.” 


— Então a senhora teve um momento feliz. 


— “Senhor Divaldo, eu descobri depois que ele era um alcoólatra.” 


— A senhora se tornou mãe? 


— “Sim, duas vezes.” 


— O pós-parto produz uma reação fisiológica de bem estar. 


Todo mundo dorme, até os maridos. 


Porque há um relax. 


A senhora teve dois momentos plenificadores, fisiopsicológico. 


— “O senhor precisa ver os filhos que eu tenho. Um é isso e o outro é aquilo.” 


— A senhora já notou que só se fixou no depois e não no durante? 


Que é uma tendência masoquista para ser infeliz. 


A senhora quer que eu tenha pena da senhora, não tenho. 


É detestável ter pena. 


Mas há pessoas que adoram. 


Já vem com ar de quarta-feira de cinzas. 


Eu tinha uma colega, que já chegava e me perguntava como eu a estava vendo hoje. 


Eu dizia: 


ótima. 


— “Mas Divaldo eu estou tão acabada.” 


Vamos ver se meu otimismo vence a criatura. 


Três, quatro meses depois, ela me pegou no dia errado, era eu que não estava bem. 


Quando foi chegando e me perguntou: 


“E então?” e disse: Está horrorosa. 


Imagina se alguém vai namorar com uma coisa dessa. 


Ela disse: 


“Ave Maria você não está nada bem.” 


Ficou boa. 


Nunca mais me perguntou. 


Tratamento de choque. 


Quando ela chegava me olhava já dizia: 


“Estou ótima.” 


Nós temos o mal verso de cultivar as coisas negativas, para inspirarmos compaixão. Complexo de inferioridade. 


Achamos que não somos capazes de inspirar amor. 


Todos somos capazes de inspirar amor, talvez não da pessoa que nós amemos. 


Ela não é obrigada a me amar, ela tem esse direito. 


Ela por sua vez vai amar a outra, que não a ama. 


Que vai amar a outro que não o ama, que vai amar alguém que não a ama. 


Até um dia que aparece uma coisa e diz assim: 


“Eu te amo.” 


A gente olha, não era exatamente o que a gente queria, mas numa época de jejum, qualquer coisa serve. 


A gente diz assim: 


Até que é engraçadinho. 


E vai descobrir depois que é o amor da nossa vida. 


Aquele ser encantador é projeção da imagem. 


A maioria de nós se casa, adquire parceiro, personalidade, personagem, que projetam exatamente o que não são. 


A gente se apaixona pela imagem. 


Hoje é tão comum: 


“Olha meu bem, até logo, porque acabou o amor.” 


Como se o amor fosse uma água gotejando e acaba. 


É que a pessoa estava entusiasmada pela imagem. 


A imagem perdeu o seu brilho porque revelou-se. 


Porque se revelou a pessoa, e a gente não gosta da pessoa, gostava da aparência, é natural. 


Vamos inspirar amor. 


Todos inspiramos amor. nós não sabemos quantas pessoas tímidas nos amam e gostariam de nos dizer. 


Como pesa essa frase: Eu te amo. 


E se diz invariavelmente quando não se ama, quando se quer conquistar. 


Quando estão em jogo determinados interesses sexuais, os chamados jogos dos prazeres. 


Porque, quando é realmente essa plenitude, a pessoa tem dificuldade de dizer. 


Nem timidez nem acanhamento, não, tem dificuldade, porque é tão profundo. 


Eu conheci em Zurique, num hospital de aidéticos, um casal que mais me impressionou. 


Foi terapia para uma sexóloga, que tinha conflitos na área do comportamento sexual. 


Eu lhe recomendei que visitasse o casal. 


Eu os adotei há 4 anos como meus afilhados. 


Ela tem 25 anos, ele tem 24 anos. 


Ela era soro positivo e ele não sabia. 


Tiveram um relacionamento, ele se contaminou. 


Quando ela teve uma doença parasitária e a enfermidade estava em desenvolvimento, ele foi fazer o exame e deu soro positivo. 


O choque, creio, desenvolveu a doença. 


Eles foram internados na mesma clínica, no mesmo apartamento. 


O que mais me comoveu, nos muitos diálogos que mantive com ele, através de intérprete, porque eles são de língua alemã suiça, foi o amor que eles se tem. 


Eu perguntei ao rapaz se ele não ficou magoado por ela ter contaminado você? 


Ele respondeu: 


“— Mas ela não sabia.” 


Olha o amor, como tem uma visão bonita. 


E eu perguntei a moça: 


E você não ficou em conflito por ter sido instrumento de contágio para ele? 


Ela respondeu: 


“— No começo sim, mas eu não tive culpa.” 


Uma proposta psicológica: ninguém faça consciência de culpa. 


Ninguém tem culpa de nada. 


A nova proposta psicoterapêutica: eu sou responsável, não culpado. 


A palavra é muito importante. 


Eu sou responsável por este sucesso, mas não são culpado pelo insucesso. 


Quando eu sou responsável, eu me reabilito. 


Quando sou culpado, me auto-puno. 


Não tenho o direito de punir a mim mesmo. 


Eu perguntei a ele: 


— Dizem-me que as pessoas portadoras do HIV, em determinados períodos, tem muito estímulo sexual. 


Vocês que tinham um relacionamento bastante jovem, agora que vivem no mesmo quarto com toda liberdade, como vamos de relacionamento? 


Ele ergueu o sobrolho, quase me censurando e disse: 


“— Qual o relacionamento?” 


Eu disse:


 — O relacionamento mais intimo, vocês são tão jovens. 


Ele disse: 


“— A gente quase não lembra.” 


Eu disse: 


— Por que não? 


Ele respondeu: 


“— Porque a gente se ama. 


Porque quando se ama, as vezes nem é necessário, porque amar é um momento de busca de plenitude, e o jogo sexual, é o momento de busca de sensação, que pode ou não levar a plenitude.” 


Então, quando a gente não se ama, a gente tem desejo. 


Quando a gente ama, temos emoções elevadas. 


Eu perguntei para ele: 


— Ela está muito mal, se ela morrer agora, como é que você vai se sentir? 


— “Eu vou me sentir como se tivesse perdido ¾ partes de mim mesmo.” 


— Mas por que, meu filho? 


— “Porque não sei como preencher o seu vazio.” 


Eu lhe contei, que um psiquiatra materialista me deu esta resposta. 


Ele disse: 


“Os senhores espiritualistas têm como consolar. 


Mas eu que só aceito o quimismo cerebral, quando se dá a anoxia, morreu o ser. 


Quando alguém chega e diz: 


perdi meu filho, meu marido, o ser que eu mais amava. 


Eu não tenho que dizer: espere, vai haver o reencontro, estão vivos. 


Eu pergunto: 


quanto tempo de convivência você fruiu desse amor? 


por quanto tempo? “


— Ah! por 20 anos.” 


Então, você tem 20 anos de presença, não deixe que a ausência esvazie seu sentimento. 


A senhora teve momentos de felicidade incomparáveis , mas resolveu eleger os momentos de felicidade para inspirar compaixão. 


Olhei para aqueles dois corpos, quase cadaverizados. 


Falei-lhes da imortalidade da alma, vi familiares ao lado deles. 


Há 4 anos que os visito, desta última vez, no mês de maio, ela me disse: 


me abençoe que vou viajar. 


Eu disse: 


minha filha, abençoa-te a ti mesma. 


Tu te abençoas com a nobreza do teu coração. 


Ninguém abençoa a ninguém, ninguém maldiz a ninguém, são palavras. 


Se nós as aceitarmos, terão ressonância e essa ressonância perturba-nos, fazendo com que se instale conflitos e doenças. 


Mas, tu que te amas, já és abençoada. 


Eu suplico a Deus que te receba em jubilo como tu mereces. 


No mês de junho ela partiu. 


Ele me descreveu: 


e agora preencherei a sua ausência com as lembranças da sua presença. 


Mas, este é um fenômeno natural. 


A morte é inevitável por mais longa que seja a vida. 


Quando nós adquirimos esta postura de curar, nós poderemos curar. 


Porque nós irradiaremos. 


Um toque de mão, quantas vezes encontramos uma pessoa na rua e saudamos: que bom ter encontrado você. 


E saímos renovados. 


Foi uma cura, alguém que nos irradiou uma energia poderosa. 


Uma Universidade em Montreal, Canadá, realizou uma experiência monumental sobre essa irradiação que temos. 


Pegaram água do mar e colocaram no vaso com uma boca larga, água potável e água contaminada. 


Pegaram sementes que ao contato com água do mar perdem a faculdade de germinação. 


Colocaram 5 no vaso com água salgada, com água potável e com água contaminada. 


Depois plantaram as sementes em tabuleiros. 


As que vieram da água salgada não germinaram, da água potável germinaram, da água infeccionada não germinaram. 


Aí estava a evidência científica de que uma água contaminada mata o princípio vegetativo. 


E a água do mar também matava o princípio vegetativo. 


Repetiram a experiência, mas colocaram um indivíduo saudável para magnetizar a água salgada. 


Pegaram um indivíduo com manifestações esquizofrênicas, para que magnetizasse a água potável e pegaram um indivíduo com faculdade curadora para que magnetizasse a água contaminada. 


Plantaram as sementes. 


Como não se esperava, a água salgada que recebeu o magnetismo, repetiu todas as sementes. 


A água potável que recebeu a energia esquizofrênica, não permitiu que nascesse uma semente. 


A água contaminada que havia sido magnetizada por um curador, todas as sementes germinaram. 


Estava a prova científica de que o indivíduo irradia a energia que lhe é peculiar. 


A experiência foi repetida 5 mil vezes. 


E nas 5 mil vezes, os dados estatísticos foi que uma energia saudável pode mudar o campo vibratório de algo, alguém, que sejam portadores de um desequilíbrio de qualquer natureza. 


Como a energia deletéria pode desarticular o campo vibratório de uma pessoa saudável. 


Quando nós somos bombardeados por uma pessoa pessimista, uma pessoa reclamadora e não temos resistência, nós entramos na dela. 


Daí a pouco a gente se irrita e fica pior que ele. 


Ter compaixão. 


A compaixão é um sentido altruísta. 


É considerar a pessoa como menos boa, ainda no patamar menos feliz e para que ela saia daquela faixa perturbadora. 


A compaixão no sentido budista, tem outra interpretação. 


Tudo o que você fizer, faça com paixão, com ideal, com entrega. 


Realize esse sentimento com desejo de ajudar esta pessoa recalcitrante, dissolvente, desgastante e perturbadora. 


Então, você conseguirá ser um curador natural. 


Não é necessário usar talismã, usar isto ou aquilo, que são artifícios de indução sugestiva. 


Não é o talismã que cura, é a energia sugestiva que o talismã leva. 


Se dissermos: 


coloque isso no bolso que não vai acontecer mais nada. 


Essa indução vai estimular as nossas enzimas para defender-nos, é o medicamento placebo. 


Berg Single e os grandes terapeutas desta área, fizeram experiências com pessoas com insônia. 


Pegaram o medicamento placebo e disseram: 


com este, temos a certeza que vai perder a consciência, porque nunca falhou. 


E a pessoa antes de tomar, já ia ficando condicionada, dormia profundamente. 


E pegavam as vezes hipnóticos e diziam: 


eu não sei se vai fazer efeito. 


A pessoa tomava e ficava excitada. 


É a alo indução. 


A auto indução é muito mais favorável. 


A pessoa vai conjugar bem os verbos ser e estar. 


Eu não sou doente, eu estou doente. 


Quem é, estruturalmente não tem jeito, quem está, condicionalmente, se encontra em trânsito. 


Nós vamos passar a dizer: 


eu estou doente, estou com uma infecção, um transtorno. 


Vivemos a época dos transtornos neuróticos. 


70% das criaturas estivemos, estamos ou iremos estar com depressão. 


Um estatístico americano disse que em cada 10 cidadãos americanos, 7 são depressivos. 


A depressão é um transtorno e eventualmente, pode ser uma doença mais profunda, um distúrbio com caráter psicótico mais profundo, é um transtorno neurótico. 


Esse estado crepuscular que periodicamente nos abate, é saudável. 


Porque uma vida psicologicamente saudável, não é essa linha reta, monótona. 


É uma linha sinuosa, em que o medial é o equilíbrio. 


Nós teremos piques para a exaltação e teremos os decessos para a depressão. 


Mas, quando nós começamos a negar-nos a alegria. 


E consideramo-nos como portadores do distúrbio, então aí, o nosso caráter de neuropepitídeos mudam e nós passamos a absorver muitas enzimas perturbadoras e necessitamos de terapia médica. 


As várias escolas aí estão para atender a variedade de distúrbios. 


É muito comum encontrarmos nas doutrinas religiosas da paranormalidade, no mediunismo, na umbanda, na quimbanda, no espiritismo, na teosofia e noutras doutrinas e agora no holismo, uma maneira simplista de examinar questões profundas. 


Alguém está com depressão e eu digo: 


é depressão. 


Essa depressão é obsessiva. 


Há interferências de agentes do mundo espiritual, mas o campo vibratório é nosso. 


Para que essa luz mande sua mensagem, o plugue está na tomada. 


Neste instante aqui, me retiraram todos os aparelhos e claro, eu não me pude comunicar. 


Se nós nos tornamos receptivos porque caímos vibratoriamente, por erros destas, como de existências transatas, de vidas passadas, atraímos àqueles a quem prejudicamos e que nos perturbam. 


Mesmo neste caso, a terapia médica é relevante. 


O conselho do psicólogo, a terapia do psiquiatra, de acordo com o caso. 


A análise do psicanalista, a ajuda do grupo, porque as vezes, não temos resistência para sós. 


Terapia de vidas passadas com uma pessoa credenciada, que haja feito o  curso médico, ou psicológico, ou psicanalítico e haja feito um curso de pós-graduação de terapias de vidas passadas. 


Não é para que médiuns, presidente de grupos façam. 


Entrar no nosso inconsciente é uma viagem muito delicada. 


Jung dizia que a visão de um iceberg, são apenas 5% que estão a vista, é a nossa consciência, mas 95 % submersos são o nosso inconsciente. 


Freud exagerava um pouco mais, ou dizia mais verdade. 


O nosso inconsciente pode ser considerado o Oceano pacífico e a nossa consciência uma casca de noz. 


Ainda temos muito que conquistar. 


Não se entreguem a pessoas inaptas. 


Resguardem sua saúde mental, não se deixe influenciar por pessoas que se comprazem em prognósticos trágicos, em médiuns, em religiosos do fim do mundo. 


Tem pessoas que só vêem o lado negativo. 


Se alguém está com uma perturbação obsessiva, a terapia não vai piorar-lhe o estado. 

Mude de atitude mental, desplugue a energia perturbadora e você melhora. 


Erga-se, a vibração debaixo não me alcança. 


O problema não é de obsessores, é de sermos um obsessor encarnado, de sermos um espírito atribulado. 


Mude de pensamento, pense no bem. 


A medida que você pensar no bem, o bem lhe fará bem. 


Há sim, obsessões lamentáveis que produzem estados patológicos. 


Allan Kardec estudou com sutileza, Livro dos Médiuns, capítulo 23. 


Nem toda obsessão é obsessão. 


Muitas vezes é loucura. 


Mas nem toda loucura é loucura, invariavelmente, é uma obsessão. 


Os sanatórios têm mais obsidiados no tempo de Kardec, do que de loucos no nosso tempo. 


A depressão pode ser mudada com a disposição do paciente. 


Se ele alegar: 


Ah! não tenho forças. 


Sabemos que essas enzimas deprimem, mudam o campo, mas comece a olhar o desabrochar de uma flor, abra a janela da sua casa. 









Os hospitais mundiais constataram, que no quarto que tem uma janela para o jardim, o doente fica melhor mais rapidamente. 


Os quartos sem janelas, os doentes deprimem. 


A depressão, de acordo com o seu nível, necessita de um tratamento especializado. 


Devemos procurar os nossos psico-terapeutas, psicólogos, psiquiatras, quando estivermos saudáveis. 


Se convencionou, principalmente no Brasil, que quem vai falar com o psicólogo, psicanalista, psiquiatra não está muito bem da bola. 


Eu queria saber nesse país quem é que anda bem. 


E se alguém disser: 


pois eu ando. 


Transtorno neurótico de perfeição, mania de ser melhor do que os outros. 


Todos nós temos nossos transtornos neuróticos. 


As vezes estamos deitados e pensamos: será que eu fechei a porta? 


Levanta e vai olhar. Já é um transtorno neurótico. 


Está com o óculos na testa e procura o óculos em todo lugar, transtorno neurótico. 


A depressão é um transtorno psicótico maníaco depressivo. 


Tem vários fatores endógenos e exógenos. 


Mas o ser profundo que somos e o corpo que estamos, pode trabalhar para restaurar o equilíbrio dos neuropepitídeos. 


Chico Xavier adoeceu e fez um transtorno psicótico depressivo. 


Seu guia espiritual disse: 


“A tua saúde vai depender de uma frase com três palavras. 


Toma de uma cartolina e escreve. 


Coloca aos pés da cama. 


Todas as vezes que despertares ou ao deitar tu verás e isso vai te ajudar. 


A frase diz: 


Isto também passa. 


Tudo passa, isto também passa. 


E ao considerar que isso também passa, já passou. 


Então, harmoniza-te. 


Diga as pessoas que por acaso aqui estejam com transtorno psicótico maníaco depressivo, profundo ou superficial, que na raiz do distúrbio está também o seu autodesamor. 


A sua não aceitação. 


Aceite-se.” 


No binômio saúde-doença, ame-se, perdoe-se, adquira razão de viver e doe-se. 


Quando visitar alguém, não lamente com o doente. 


Quando ele começar a lamentação, dei-lhe 10 minutos no máximo, não dê mais. 


E diga assim: 


— Mas eu esperava encontrar você pior. 


— “Mas eu estou morrendo.” 


— Pois é, eu vim certo que você já estava morto. 


Mas ainda não morreu, e já que não morreu, vamos conversar. 


Minha mãe na hora em que eu cheguei disse: “


— É hoje que eu vou morrer meu filho?” 


Eu disse: — Não, não sei. 


— “Mas meu filho você nunca me visitou às 5 horas da manhã. 


Os espíritos disseram que é hoje?” 


— Disseram sim senhora. 


— “Então sente aí, eu não estou sentindo nada. 


Enquanto a morte não chega, vamos conversar.” 


Nós conversamos até que a morte chegou. 


Quando a morte chegou ela fez um coma, depois voltou do coma e disse:


 “Meu filho, é verdade, até logo.” 


E morreu, foi numa boa, alegre com a vida. 


Um paciente chega ao Dr. Bern Single com metástase generalizada e pedi-lhe para ele que se encarregue do caso. 


Ele estuda o caso, anamnese, estudos complementares e diz que a possibilidade de vida é mínima. 


E o paciente diz: 


— “Sim doutor, é mínima, mas não acabou. 


Eu estou vivendo. 


Gostaria de saber do senhor se terei uma probabilidade, uma em 100?” 


— Não, estatisticamente você não tem. 


— “Em 1000?” 


— Olha, eu lamento muito, eu nunca desanimo, mas não vou lhe mentir, não tem. 


— “Em 10.000?”


— Não vejo. 


Aqui pelo seu quadro, como você está se sentindo, é uma questão de um momento. 


— “Dr., em 500.000 possibilidades eu terei uma?” 


— Sim. 


— “Então, trate-me. 


Porque dos 500.000 cancerosos, eu sou aquele que vai ficar bom, eu sou a exceção.” 


Então o doutor percebeu que ele era a exceção, que queria ficar bom. 


Trabalhou psicologicamente com ele. 


Começou a ajudá-lo a recuperar o mundo interior. 


Seis meses depois o homem não tinha morrido. 


Quatro anos depois o homem está vivo. 


Essa interação mente-corpo depende do espírito que somos. 


Como mensagem final nós recomendaríamos: 


Ame-se para poder amar. 


Perdoe-se para melhor perdoar. 


Encontre o significado da vida, seja qual for, para poder ser feliz. 


Acima de tudo, aceite-se como você é. 


Aceite a doença. 


Não se rebele, acontece com todos nós. 


Mas, não se resigne como mártir, porque ela vai acelerar. 


Diga: Olá querida, você é bem vinda, mas não é amada por enquanto. 


Eu lhe dou hospedagem por um tempo, mas como todo hóspede, você tem que ir embora. 


Você é alguém que está em curso como eu, na probabilidade de acontecer. 


Deixa acontecer, não se rebele, nem se submeta. 


E vai descobrir que vale a pena viver. 


Aquela moça paralítica, a Eve, não planejava coisa para daqui há 10 anos, ela planejava os 10 próximos minutos. 


Façamos nosso planos mediatos, mas vivamos plenamente o agora.






Fonte
FRANCO, Divaldo Pereira . Cura e Autocura Palestra proferida por  Divaldo Pereira Franco Setembro de 1998 – Teatro Vannucci  no 14º ENCONTRO ESPÍRITA SOBRE MEDICINA ESPIRITUAL - 2003 . disponível em http://www.espiritualidades.com.br/Artigos/F_autores/FRANCO_Divaldo_tit_Cura_e_Autocura.pdf. Acesso : 20 ABR 2015.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

“Deixe aqui um comentário”