Pachelbel - Canon In D Major

quinta-feira, junho 14, 2012

A Irritação - Joanna de Ângelis




A Irritação

Joanna de Ângelis 




Distonia com caráter etiológico de ampla complexidade, a irritação é síndrome de processo que denuncia grave perturbação interior.

Inicia-se em clima de inquietação mental, exteriorizando-se, de quando em quando, como cansaço desta ou daquela natureza, para transformar-se em azedume freqüente, culminando em descontrole sistemático, que normalmente conduz a estados de anarquia psíquica, em forma de agressividade e loucura.

Trai-se por meio de animosidade inconsciente que medra no imo, ampliando o campo de ação como insatisfação em relação a tudo e antipatia para com todos.

Manifestando-se como impaciência, arma o homem contra pessoas e coisas, tornando-o descortês e rude, em cujas aparências desdobra tentáculos asfixiantes, que terminam por destruir aqueles que a cultivam.

Mas, como não é correto falar numa tônica melíflua e artificial, não menos certos é o tom arrogante e superior que se imprime ao verbo, para contestar, responder ou argumentar.

A expressão dura produz reação no ouvinte, que recebe o impacto desagradável e revida com descarga mental de revolta e antipatia.

Necessário fazer um exame mental para modificar atitudes.

Se percebes manifestações de irritação constante, examina-lhes a procedência.

Recua nas atitudes animosas, restabelecendo o círculo de amigos que se te fazem arredios e logo baterão em retirada.

Se identificas cansaço pertinaz como geratriz do problema, muda de atividades, altera programas, motiva os horários de serviço com otimismo, mas reage.

Não absorvas tudo nos misteres que abraças.

Aprende a repartir labores e confiança, pouco importando se recebes ou não retribuição.

Atitude infeliz a que engendra qualquer tipo de discriminação.

Se gostas deste amigo, não construas prevenções contra aqueloutro.

Possivelmente as qualidades positivas que lhe atribuis, como a carga de idiossincrasias que depositas nos outros, estão apenas em ti, pela maneira como os vês ou como gostarias que fossem.

O trabalho no qual te encontras, - o da própria redenção - é roteiro de simpatia e cordialidade, por meio do qual pretendes lograr a paz real e a felicidade pura e simples.

Não elejas, então, uns afeiçoados com destaque, em detrimento de outros. Tal comportamento far-te-á irritadiço e desagradável em relação a quantos não privam da tua eleição. .

Recorda que o amor tem a função de unir, nunca à de separar.

Muita irritação pertence à programática obsessiva, mediante a qual se destroem excelentes realizações, malogram vidas em abençoada edificação.

Semelhante a gás de sutil penetração, os fluidos da irritabilidade intoxicam, gerando enfermidades de longo curso. Não apenas no campo psíquico, como também no metabolismo orgânico.

Precatar-se contra a irritação de qualquer procedência é mister impostergável.

Para tal desiderato sê humilde e ora.

A humildade fortalecer-te-á a paz íntima, e o conúbio com o Senhor, através da oração, dar-te-á forças capazes de vencer essa fraqueza cruel que vem destruindo homens e dificultando a concretização de vigorosos ideais com prejuízos incalculáveis.


Em oposição a essa constritora perseguição da irritabilidade, ama e refugia-te no Cristo, em qualquer conjuntura. Ele, o Excelso Amigo de toda hora, conceder-te-á inspiração para desatrelar-te da malsinante armadilha de modo a avançares, jovial, no rumo da Vera fraternidade.




FRANCO, Divaldo Pereira pelo Espírito Joanna de Ângelis. Do livro Celeiro de Bênçãos.

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