Pachelbel - Canon In D Major

quinta-feira, setembro 25, 2014

Amar é sofrer? - Momento Espírita






Amar é sofrer?



Quem disse que “amar é sofrer” jamais amou.


O beijo do ar da madrugada desperta a vida que dorme.


O sorriso da lua engrinaldada de estrelas diminui as sombras.


A carícia do sol vitaliza todas as coisas.


E a chuva que lava a terra, e reverdece o chão, e abençoa o mundo, correndo no rio, esvoaçando na nuvem esgarçada, são as tuas expressões de amor, construtor real, demonstrando o teu poder, a tua grandeza e a minha pequenez.


Quem ama, sempre doa, e não sofre, porque ama.


Quem diz que amar é sofrer ainda está esperando pelo amor e jamais amou.


*   *   *


As palavras do poeta Tagore são fortes. 


Desafiam todos os autores que até hoje cantaram, emocionados, as dores do amor.


E foram tantos... E ainda são.


O amor do mundo sempre esteve vinculado à dor, pois sempre foi um amor apego, um amor posse, um amor desespero.


Agia-se no ímpeto por amor, e lá vinha a dor. Esperava-se indefinidamente por amor, e lá se iam anos de sofrer silencioso.


Nossa arte revela isso de forma magistral: o ser humano tentando sobreviver amando dessa forma.


Chegamos ao ponto de nos autoflagelarmos por ele, ou ainda, de acabar com nossa própria vida, por não suportar tal vil pesar. 


E o pior, achamos isso belo, romântico...


Imaturos fomos, assim como o que chamamos de amor ao longo das eras também o foi.


Inventamos um tal de amor à primeira vista, para justificar paixões retumbantes, apenas desejos ardentes muitas vezes...


Alguns ainda, aprenderam a chamar o ato da união sexual em si, de fazer amor, como se em toda coabitação ele estivesse obrigatoriamente presente – quem dera...


Entendemos pouco de amor.


E não foi por falta de bons exemplos.


Recebemos na Terra o Espírito que irradiava amor, e que proclamou esta palavra aos quatro ventos, de uma forma inesquecível.


O amor do qual Jesus falava era esse amor doação, o amor ágape.


Pode haver sofrimento em nosso coração ainda por algum tempo, mas não por amar, e sim, apenas por não sabermos amar de forma devida.


São nossos vícios que trazem as dores. 


O amor só traz alegria e paz, pois é responsável pela consciência pacificada.


A carícia do sol vitaliza todas as coisas e o amor verdadeiro é este sol, que sempre vitaliza e nunca enfraquece.


Nas piores noites o sorriso da lua engrinaldada de estrelas diminui as sombras. 


É novamente o amor, consolando, dando esperança, e jamais provocando mais escuridão.


É tempo de conhecer melhor o amor, agora que podemos ser mais maduros, que entendemos que não possuímos as coisas nem as pessoas; agora que entendemos que não estamos aqui para ter, mas para ser.


Ainda estamos esperando pelo amor, é certo, porém, cada movimento que fazemos em direção ao outro, deixando de lado o vício do egoísmo e do orgulho, é um passo que damos até ele.


E talvez logo descubramos que não fomos nós que esperamos pelo amor durante todo esse tempo, mas ele que sempre esperou por nós...





Redação do Momento Espírita, com base em trecho do  cap. XXII, do livro Estesia, de Rabindranath Tagore, psicografia  de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL. Disponível em www.momento.com.br.

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