Pachelbel - Canon In D Major

segunda-feira, setembro 15, 2014

Boneca - Narcisa Amália De Campos





Boneca

Narcisa Amália De Campos*



Boneca!... Era uma vez a bonequinha humana,

Borboleta a voejar, sob véus de neblina,

Primavera de sonho e graça matutina,

Transfundidas na carne em rósea filigrana...



Bela e ardente, dançou, qual brejeira cigana,

Nos laços da ilusão que se adensa e esborcina ;

Mulher, envelheceu disfarçada em menina,

Alegre bibelô na ribalta mundana.



Nem renúncia no amor, nem lar de que se importe.

Mas, bailando febril, encontra, um dia, a morte,

Na dor que lhe crepeia o coração e a estrada...



A libélula cai sobre o charco profundo

E, no visco de lama, ouve apenas do mundo :

– “Boneca!... Era uma vez a boneca doirada!”




XAVIER, Francisco Cândido Diversos Espíritos. Pelo Espírito Narcisa Amália De Campos . Antologia dos imortais.




(*) Poetisa de grande formosura, cronista e tradutora. «Nas letras» – di-lo Antônio Simões dos Reis (Narcisa Amália, pág. 15) – «foi verdadeira deusa, em prosa e verso cantada, com exaltação, por tudo quanto houve de mais representativo na época.»
O próprio Imperador D. Pedro II, quando em Resende, fez questão de conhecê-la pessoalmente, fato que ocorreu em 1874. Segundo Artur de Almeida Torres (Poetas de Resende, pág. 67), as poesias de Amália «se caracterizam pela delicadeza de sentimento, pela espontaneidade do estro e pela riqueza musical dos versos». Redigiu o jornal resendense A Gazetinha, tendo colaborado em outras folhas de Resende, bem como de Niterói, Rio e S. Paulo.
«Foi a primeira mulher, entre nós,» – diz Edgard Cavalheiro (Pan. II, pág. 296) – «a erguer a voz em defesa de suas irmãs de sexo, numa tentativa feminista avançada para o meio acanhado e rotineiro de então.» Depois de residir em Resende, passou para o Rio de Janeiro, onde se consagrou ao magistério, até que veio a 'desencarnar, cega e paralítica, com setenta e dois anos de idade. (S. João da Barra, Estado do Rio, 3 de Abril de 1852 – Rio de Janeiro, GB, 24 de Junho de 1924.) BIBLIOGRAFIA: Nebulosas, poesias.


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