Pachelbel - Canon In D Major

sábado, setembro 13, 2014

Maria Boneca - Epiphanio Leite




Maria Boneca

Epiphanio Leite



(Versos dedicados à dama feudal que abraçamos por devotada amiga, há três séculos, e que hoje expia, na via pública, sob a alcunha de Maria Boneca, o delito de haver exterminado o filho jovem que lhe estorvava a existência de irresponsabilidade e prazer).



Reencontrei-te, por fim, esmolando na rua.


Nada recorda em ti a dama do castelo.


Lembro-me!… Dás à fossa o filho louro e belo,


Esqueces, gozas, ris… E a festa continua…


Depois, a morte vem… A memória recua…


Escutas em ti mesma o trágico libelo,


Choras, nasces de novo e trazes por flagelo


A sede de ser mãe que a demência acentua!…


Como dói ver-te agora os tristes olhos baços!


Guardas, louca de amor, um boneco nos braços,


Em torno, há quem te apupe a trilha merencória…


Mas bendize, senhora, a lei piedosa e austera,


Alguém vela por ti: o filho que te espera


E há-de levar-te aos Céus em cânticos de glória!…




XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Epiphanio Leite.Do Livro: Mãe.


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