Pachelbel - Canon In D Major

quarta-feira, setembro 17, 2014

Jardim da vida - Momento Espírita.




Jardim da vida


A vida humana pode ser comparada a uma rosa no jardim. 


O bebê é o botão que desabrocha, delicadamente.


Na medida em que vai se abrindo, vai se extasiando com o orvalho na madrugada de luz, o brilho do cristal ao toque do sol, nas primeiras horas da manhã, o calor do astro rei na tarde ensolarada.


Quanto mais se abre para o mundo, mais descobertas realiza. 


Corajosa, a criança não lê obstáculos nas linhas da vida.


Tudo ela tenta, experimenta, apalpa e sente. 


Confiante, estende os braços a quem lhe oferece o colo.


Perseverante, insiste nas tentativas, sem se permitir considerar derrotada pela latinha que não abre, o brinquedo que não roda, o boneco que teima em não ficar de pé.


Nenhum obstáculo a detém: uma escadaria que parece não ter fim, uma porta fechada, o portão trancado.


Estranhamente, à proporção que cresce, parece se esquecer desse seu lado brilhante.


Nos primeiros anos escolares, pode se mostrar fechada às novidades e até apresentar baixa rentabilidade escolar.


Mais tarde, já madura, exatamente como o botão totalmente aberto, os bloqueios se fazem maiores. 


Os percalços são considerados intransponíveis.


Enquanto envelhece gradativamente, mais entraves se coloca: Minha memória não é boa. 


Esqueço tudo. 


Estou ficando velha.


Deixa de cogitar de aprender algo novo. 


Exatamente no período em que, de um modo geral, passa a ter um tanto mais de tempo livre.


A aposentadoria chegou, os filhos casaram, as obrigações decrescem em número. 


Tudo o que se pensa em ter durante os anos da juventude, da madureza, agora se encontra à disposição: mais tempo.


No entanto, esse tempo é inutilizado. 


E se há algo que realmente faz a pessoa envelhecer é a ociosidade, o não fazer nada.


Enquanto a rosa no jardim vai perdendo o viço, murchando e despetalando, o homem se permite também fenecer.



*   *   *


Mas tudo pode ser diferente. 


Nunca é tarde para aprender.  


Envelhecimento nada tem a ver com perda de memória. 


A não ser que a pessoa seja portadora de alguma enfermidade, que prejudique as funções mentais, as intelectuais.


Absorver sabedoria dos livros, aprender a tocar um instrumento, exercitar-se numa nova língua. 


Tudo aquilo que não se teve tempo ou possibilidade de fazer antes, eis uma chance maravilhosa.


Oscar Niemeyer, conhecido arquiteto brasileiro, aos noventa anos, afirmou:



Não vejo problema algum com minha idade. 


Nasci em 1907. 


Desde cedo dediquei-me a ver a poesia que vibra nas curvas das imagens, e não apenas nas linhas retas e tensas.


Prossegui com afinco e dedicação em busca de meu crescimento, e posso afirmar que sou uma pessoa feliz.


Ajudei as pessoas o quanto pude e aprendi a contemplar a natureza, de modo que todas essas coisas somadas, e muitas outras mais, me trazem a convicção da serenidade.


E conhecido locutor da televisão afirmou, nos seus setenta anos de idade: 


Tenho um projeto a realizar antes de morrer.


Deverá levar quatorze anos para a sua concretização. 


Nele utilizarei a minha voz, que hoje se encontra mais encorpada, mais sonora do que jamais o foi.


Espero que o bom Pai não me leve antes. 


Desejo concluir esse projeto antes de partir.


Isto é velhice abençoada. 


Isto é não murchar, embora o tempo tenha desenhado seu mapa nas faces de quem sorri para a vida, a cada amanhecer.


Envelhecer com dignidade é ter sempre em mente um projeto de vida para o dia que ainda não nasceu.





Redação do Momento Espírita.Disponível em www.momento.com.br.


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