Pachelbel - Canon In D Major

domingo, janeiro 13, 2013

A Lenda da Rosa - Maria Dolores






A Lenda da Rosa

Maria Dolores



Dizem que quando a Terra começava


A ser habitação de forças vivas,


Nas telas primitivas,


Tudo passara a ser agitação de festa;


As cidades nasciam


Em singelas aldeias na floresta...


A beleza imperava,


O verde resplendia,


Toda a vegetação se espalhava e crescia,


Dando refúgio e proteção


Aos animais,


Do mais fraco ao mais forte...


O progresso ganhava as marcas de alto porte.


No campo, as plantas todas


Respiravam felizes,


Da folhagem no vento à calma das raízes;


Era um mundo de belos resplendores,


Adornado de flores,


Com uma estranha exceção.


Tão-somente, o espinheiro,


Era triste e sozinho


Uma espécie de monstro no caminho,


De que ninguém se aproximava,


Todo feito de pontas agressivas,


Recordando punhais de traiçoeiro corte,


Que anunciavam dor e feridas de morte.


De tanto padecer desprezo e solidão,


Um dia, o espinheiral


Fitou o Azul Imenso e disse em oração:


- Senhor, que fiz de mal


Para ser espancado e escarnecido,


Todos me evitam cautelosamente


Como se eu não devesse haver nascido...


Compadece-te, oh! Pai, da penúria que trago,


Terei culpa das garras que me deste?


Acendes astros mil para a noite celeste,


Vestes a madrugada em mantilhas vermelhas,


Dás lã para as ovelhas,


Inteligência aos cães, cântico às neves,


Estendeste no chão a bondade das fontes


Que deslizam suaves


Na força universal com que desdobras,


A amplitude sem fim dos horizontes,


Em cujo místico esplendor


Falas de majestade, paz e amor...


Não me abandones, Pai, às pedras dos caminhos,


Se posso, não desejo


Oferecer somente espinhos...


Quero servir-te à obra, aspiro a ser perfume,


Inspiração e cor, harmonia e beleza,


Para falar de ti nas leis da Natureza.


Dizem que Deus ouviu a inesperada prece


E notando a humildade e a contrição do espinheiral,


Mandou que, à noite, o orvalho lhe trouxesse


Um prodígio imortal.


Na seguinte manhã, logo após a alvorada,


Por entre exalações maravilhosas,


O homem descobriu, de alma encantada,


Que Deus para mostrar-se o Pai e o Companheiro,


Atendendo a oração pusera no espinheiro


A primeira das rosas.




XAVIER , Francisco Cândido pelo  Espírito Maria Dolores.

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